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“A pandemia da pobreza” em França

Em entrevista à RFI, Cristina Semblano, economista e dirigente bloquista, fala da situação social em França, destaca que a pobreza está a aumentar com a pandemia e sublinha que a covid-19 criou milhões de “novos pobres” no mundo. “Em Paris, há estudantes universitários a passar fome”, afirma.
Armazém de alimentos do Socorro Popular francês, foto de Kab Niang/Secours Populaire
Armazém de alimentos do Socorro Popular francês, foto de Kab Niang/Secours Populaire

Cristina Semblano, economista, professora universitária e dirigente do Bloco de Esquerda, aborda a situação social e económica em França e o aumento da pobreza, em entrevista à RFI (Rádio França Internacional).

Cristina Semblano, que vive em Paris, destaca que a pobreza está a crescer com a pandemia. “Podemos falar até na pandemia da pobreza”, afirma.

A economista esclarece que “a pobreza não foi provocada pelo coronavírus, nem pelas medidas sanitárias decorrentes do coronavírus”. Mas foi amplificada, pois “já existia uma extensa pobreza e desigualdades na repartição do rendimento antes desta pandemia”.

Cristina Semblano refere que o Banco Mundial publicou um relatório no início de outubro, onde se prevê que haveria mais 150 milhões de novos pobres no mundo devido à pandemia.

Sobre a pobreza em França, a economista diz que, em 2019, existiam 9,3 milhões de franceses a viver abaixo do limiar da pobreza e que as associações temem que este número aumente em um milhão de pessoas. Segundo um novo barómetro da pobreza, criado pela organização Socorro Popular, “um terço da população sofreu de uma baixa de rendimentos entre o princípio do ano e o mês de agosto”.

“Há novos pobres, pessoas que a pandemia arrastou para a pobreza. São pessoas que afirmam só comer uma refeição por dia. Os pedidos de ajuda alimentar explodiram, a distribuição alimentar também tem aumentado muito”, afirma a dirigente bloquista na emigração.

“A pobreza atinge mais as grandes metrópoles, atinge particularmente os jovens”, aponta Cristina Semblano. E refere que “há toda uma panóplia de medidas dedicadas aos jovens”. “Mas até agora os jovens com menos de 25 anos não tinham sequer acesso ao rendimento mínimo de inserção”, critica.

“Temos jovens trabalhadores, jovens precários e temos estudantes”, diz a economista, sublinhando que “é preciso saber-se que aqui na cidade universitária internacional de Paris, há estudantes com fome que fazem apelo às ajudas alimentares”.

Questionada sobre o facto da França ser um dos países mais ricos do mundo e estar a ter um aumento de pobreza, a economista afirma: “A França é um dos países mais ricos do mundo, diz-se que é a quinta ou a sexta potência mundial, mas efetivamente em matéria de políticas públicas deixa muito a desejar”. “Nós vemos que a França foi um dos países da Europa que mais suprimiu camas e pessoal dos hospitais nos últimos anos”, exemplifica.

Questionada sobre a possibilidade de reverter a situação, Cristina Semblano afirma que “a situação não é inelutável”, mas que “as políticas que estão a ser implementadas são para que ela [a pobreza] se acentue”.

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