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“Panama Papers”: novos dados implicam dirigentes do PSD/Madeira, entre outros

Presidente e vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira alegadamente envolvidos no escândalo dos offshores, bem como Ângelo Correia, a família Champalimaud e Pedro Queiroz Pereira. Surgiram ainda novas informações sobre pagamentos ilícitos através do “saco azul” do Grupo Espírito Santo.
Tranquada Gomes brinda com Pedro Passos Coelho num encontro na Assembleia Legislativa da Madeira, no Funchal, em junho de 2015. Foto de Homem de Gouveia/Lusa.

O semanário Expresso deste sábado avança como novos dados sobre a da investigação aos “Panama Papers”. Ligados ao offshore, surgiram os nomes de Tranquada Gomes, Miguel de Sousa, Pedro Queiroz Pereira, Ângelo Correia e um dos filhos e uma neta de António Champalimaud. O semanário divulga ainda novas informações sobre o “saco azul” do Grupo Espírito Santo, a ES Enterprises.

Ligações a dirigentes do PSD/Madeira

A investigação do Expresso e da TVI revelou que o presidente e vice-presidente da Assembleia Legislativa da região, Tranquada Gomes e Miguel de Sousa, a aparecerem nos registos da Mossack Fonseca. Tranquada Gomes esteve mais de uma década no Conselho Fiscal e na Assembleia Geral do Banif e pertence à Comissão Política do PSD na região. Miguel de Sousa, por seu lado, pertence ao Conselho Regional do PSD na Madeira.

Ambos os dirigentes da secção regional do PSD tiveram procurações em seu nome e de outras pessoas, passadas por diferentes offshores, quando eram deputados da assembleia da Madeira. Alegadamente, ambos fariam a ligação entre empresas sedeadas na Zona Franca da Madeira e o Governo Regional, em alturas diferentes.

Tranquada Gomes teve procurações passadas pela Oliveira Inc, Sudotel SA (registadas no Panamá) e Dorcal International Ltd. (Ilhas Virgens Britânicas) entre 1994 e 2005. A investigação revelou que Miguel Sousa teve procurações passadas pela Kadiroi Corporation, Kaltech Enterprises e Benington Properties Limited, incorporadas em Nius, jurisdição da Nova Zelândia, entre 1996 e 1998.

O Bloco de Esquerda/Madeira já se pronunciou sobre a investigação, afirmando que o envolvimento do presidente e de um dos vice-presidentes da Assembleia Legislativa “reveste-se de uma gravidade que não pode passar em claro”. “O facto obriga a um esclarecimento exaustivo acerca das procurações que detinham em seus nomes, com que finalidade essas procurações lhes foram passadas e quais as ligações destes dois responsáveis à Mossack Fonseca, a empresas sediadas em paraísos fiscais, bem como as eventuais ligações destas à Zona Franca da Madeira”, exige o Coordenador Regional do Bloco Madeira, Roberto Almada.

“Uma vez mais, através de alguns dos seus altos responsáveis, a Madeira aparece associada a suspeitas relacionadas com empresas com ramificações a praças onde a fuga ao Fisco parece ser a tónica dominante. Exige-se clarificação imediata de tais situações e, se for caso disso, a assunção de todas as responsabilidades políticas por parte dos agora referenciados neste escândalo”, conclui Roberto Almada.

“Saco azul” do GES denuncia titulares de cargos políticos, membros da família Espírito Santo, administradores do BES e de outras empresas

A investigação à ES Enterprises, offshore que funcionava como “saco azul” do Grupo Espírito Santo (GES) denunciou como receptores de pagamentos ilícitos membros da família Espírito Santo, administradores do BES e de outras empresas relacionados com o banco, entre as quais a Portugal Telecom.

Os pagamentos ilícitos não terão ficado por aí, e nos “Panama Papers” terá sido divulgada uma lista de mais de cem pessoas (incluíndo autarcas, funcionários públicos, gestores, empresários e jornalistas) que também os recebiam, com a descrição de todos os nomes e valores, que já está nas mãos do Ministério Público.

Ainda de acordo com o Expresso, foram encontrados em 2005 nos cofres da sede do Conselho Superior do GES e de uma agência do Banco Internacional de Crédito maços de notas, somando um total de dois milhões de euros. Este valor foi apreendido numa busca da "Operação Furacão" e ainda não foram reclamados, estando desde então guardados no cofre de um tribunal. Em 11 anos, nenhum dos membros que compunham o Conselho Superior do GES os reclamou.

Pedro Queiroz Pereira, Ângelo Correia e a família Champalimaud

A investigação revelou ainda a ligação de Pedro Queiroz Pereira, Ângelo Correia e um filho e uma neta de António Champalimaud com os offshores. Pedro Queiroz Pereira é dono da Semapa e da Portucel e teve duas sociedades no Panamá. Uma delas, serviu para pagar um contrato de aluguer de jactos privados em 2006 com a empresa Netjets.

Ângelo Correia, figura destacada do PSD e ex ministro da Administração Interna no governo de Balsemão, surge associado ao offshore Anchorage Group Assets Limited, nas Ilhas Virgens britânicas, da qual terá sido administrador.

Luís de Mello Champalimaud e Sofia Monteiro, respetivamente, filho e neta de António Champalimaud, também surgem associados à investigação. O primeiro ligado à empresa Newlake Investments SA e a uma conta no banco suíço UBS; a segunda à Oyster Investments Group Corp, do Panamá, e manteve, com o marido, uma conta no UBS.

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