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Palestinianos preparam greve de fome nas prisões israelitas

O protesto de quase 1.400 presos é uma resposta à repressão que se seguiu à espetacular fuga de seis prisioneiros de uma cadeia de alta segurança israelita.
Ação de protesto da ONG Addameer contra o regime de detenção administrativa em Israel. Foto Addameer.org

O tratamento dado pelos israelitas aos presos palestinianos está a provocar revolta nas cadeias e o resultado pode vir a ser uma greve de fome massiva por parte de 1.400 presos a partir do fim desta semana.

Segundo a Al-Jazeera, em causa estão as medidas punitivas dos serviços prisionais israelitas contra os presos palestinianos após a fuga de seis detidos de uma cadeia de alta segurança, escavando um túnel até ao exterior. Quatro foram capturados dias depois e encontram-se sob interrogatório e sem acesso aos seus advogados, que colocam a hipótese de estarem a ser vítimas de tortura. Nas imagens televisivas de um dos fugitivos no tribunal, eram visíveis as marcas de feridas na cara e terá mesmo sido assistido num hospital no domingo. O advogado Sahar Francis, de uma associação de apoio aos presos, diz que é provável que eles venham a ser colocados em solitária, sem direito a visitas e com restrições no acesso ao advogado.

Além da preocupação com o destino dos fugitivos recapturados, os presos palestinianos protestam também contra a deterioração do estado de saúde de outros seis presos em greve da fome há várias semanas, protestando contra a sua detenção administrativa, sem direito a acusação ou julgamento. Os detidos recusam-se a comer enquanto não lhes disserem de que é que são acusados e quando serão libertados. Entre eles está um antigo praticante de bodybuilding, que pesa agora 40 quilos após dois meses sem comer. Nem a família nem o advogado ou a Cruz Vermelha têm acesso ao detido, por estar sob o regime de detenção administrativa, que permite às autoridades israelitas deter indefinidamente uma pessoa, com base em informação secreta, sem terem direito a conhecer a acusação e muito menos a um julgamento.

“Embora a prática generalizada e sistémica da detenção administrativa seja proibida pela lei internacional, a ocupação israelita usa-a como ferramenta para a punição coletiva dos palestinianos”, diz a associação de apoio aos presos Addameer, que conta 520 palestinianos atualmente detidos sob esse regime. Na semana passada, a associação e outras ONG denunciaram à comunidade internacional os abusos aos direitos dos presos e dos seus familiares, todos alvo de punição coletiva proibida pela Convenção de Genebra.

Segundo a Addameer, existem neste momento 4.650 presos políticos nas prisões israelitas, dos quais 200 são crianças e mais de mil cumprem penas entre os 20 anos e a prisão perpétua. 

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