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País tem de chegar ao fim da pandemia com "um SNS reforçado e não totalmente destruído"

À saída de uma reunião com a Administração do Hospital de Évora, Marisa Matias apresentou propostas para fixar profissionais no interior do país: incentivos específicos, mais autonomia das administrações e capacidade de construir carreiras.
Marisa Matias reúne com a Administração do Hospital de Évora. Dezembro de 2020.
Marisa Matias reúne com a Administração do Hospital de Évora. Dezembro de 2020.

Com a saúde “no centro da campanha” e com um contrato para a saúde como preocupação de destaque, Marisa Matias reuniu na tarde desta segunda-feira com o conselho de administração do Hospital de Évora. A candidata presidencial ouviu as dificuldades de um hospital no interior do país e deparou-se com circunstâncias idênticas a outras que já tinha encontrado.

Marisa tem insistido na sua pré-campanha às presidenciais que uma das maiores dificuldades que enfrentamos é a de “um Serviço Nacional de Saúde que é o principal pilar da nossa democracia, que está em perigo e que é preciso salvá-lo, reforçando-o”.

A eurodeputada acredita que as “deficiências” do SNS “já são antigas” mas que a pandemia “tornou tudo muito mais visível”. Aliás, para ela, “se estamos a lidar da maneira como estamos com a pandemia, com todas as dificuldades que possamos ter” é porque estes “profissionais completamente esgotados” estão a ter “uma resposta dedicadíssima”.

Mas “se a pandemia não afeta toda a gente da mesma forma, também não afeta todos os territórios da mesma forma”. Por isso, sublinhou que “um hospital em Évora não tem os mesmos problemas que um hospital central em Lisboa”. É precisa assim uma resposta que “permita que os profissionais se possam fixar em todo o território”. E, sobre isto, apresentou propostas: “reivindicamos que têm de haver incentivos específicos, mais autonomia das administrações, capacidade de construir carreiras” porque “não é o mesmo tentar fixar profissionais no interior do país e tentar fixar profissionais no litoral ou nas grandes cidades”.

A candidata aproveitou ainda para vincar como “objetivo” chegar ao fim da pandemia com um Serviço Nacional de Saúde "reforçado e não totalmente destruído”. Uma luta que passa por “não permitir que a pandemia se torne uma oportunidade ótima para os privados que procuram uma hegemonia e que obviamente nos deixa mais pobres e à democracia portuguesa também”. Marisa Matias lembrou que “se estivéssemos dependentes dos privados, a nossa situação seria bem pior”, já que foram estes “os primeiros a encerrar portas e a rescindir contratos quando o país mais precisou deles”.

Não podemos cair na tentação de tentar fazer da imigração um caso de polícia

Questionada sobre o caso do assassinato do cidadão ucraniano nas instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e sobre as polémicas políticas que lhe foram sendo associadas, Marisa Matias insistiu em dizer que esta é uma “questão que nos envergonha a todos” e que “é muito triste que num país democrático como o nosso tenha acontecido o que aconteceu, que alguém tenha morrido às mãos do Estado”. Sobre este casos “todas as responsabilidades devem ser apuradas”.

Sobre o fundo do problema, a eurodeputada defendeu que “não podemos cair na tentação de tentar fazer da imigração um caso de polícia”. Para ela, “obviamente temos de ter políticas de imigração, serviços que respondam” e que “precisamos das forças de segurança bem pagas, bem treinadas, a fazer o seu serviço”. Mas a conjugação entre imigração e caso de polícia “não é seguramente” o que precisamos neste momento. Destacando que os casos de imigração “são casos de integração, de inclusão e de tantas outras dimensões, fez ainda referência “ao que se está a passar em França neste momento” com o “excesso de policiamento” e a “securitização da política”.

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