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Outubro de 2015 foi o primeiro mês a ultrapassar a linha de aquecimento global

A Terra atingiu não só as temperaturas máximas mais altas de sempre, mas o mês de outubro teve temperaturas tão invulgarmente amenas que os registos de temperatura atingiram recordes, de acordo com dados preliminares da NASA.
Foto de NOAA's National Ocean Service/Flickr

O mês de outubro de 2015 foi, por um lado, o mês de outubro mais quente desde 1880, e, por outro lado, foi também o mês com maior diferença registada em relação à média das temperaturas para o mesmo mês. Apesar de o ano ainda não ter acabado, já é possível afirmar que 2015 será muito provavelmente (97 a 99% de certeza) o ano mais quente desde que se iniciaram os registos, tendo sido ainda mais quente que 2014, o ano que detinha esse recorde. Estes dados demonstram que o aquecimento climático resultante da ação humana, somado à variabilidade climática natural, estão a levar o clima a um território desconhecido. Outro dado preocupante é o facto de este ano ser um ano de El Niño, que provoca alterações nos padrões do clima, alterando a forma como o calor é distribuídos nos oceanos e na atmosfera. O El Niño também tende a aumentar as temperaturas globais, além de ter efeitos de longo termo na aquecimento global.

Os dados disponíveis neste momento indicam que o planeta aumentará mais de dois graus de temperatura, pelo menos durante um período de tempo, mesmo que da Cimeira de Paris resulte um acordo que seja respeitado por todos os países para limitar enormemente as emissões

A temperatura média da superfície terrestre ficou um grau Celsius acima da média para o mês de outubro, o que foi a maior anomalidade de temperaturas quentes na história dos registos, mostram os dados da NASA. Além disso, foi a primeira vez que um único mês excedeu um grau Celsius de anomalidade de temperatura, ultrapassando os 0.97º Celsius de anomalidade de temperatura de janeiro de 2007, o anterior recorde. É um marco simbólico que não chegou a ser quebrado em 2014, e é um marco que será quebrado cada vez mais frequentemente à medida que o clima continuar a aquecer devido ao aumento da concentração de gases de efeito estufa produzidos pela atividade humana. O marco de um grau implica que o mundo já está a meio caminho do objetivo máximo que foi internacionalmente concordado para a Cimeira do Clima de Paris, que terá início a 30 de novembro (dois graus Celsius acima da temperatura de terra na época pré-industrial). Não será tarefa fácil e mesmo esse aumento de temperatura terá consequências trágicas. Os dados disponíveis neste momento indicam que o planeta aumentará mais de dois graus de temperatura, pelo menos durante um período de tempo, mesmo que da Cimeira de Paris resulte um acordo que seja respeitado por todos os países para limitar enormemente as emissões. 

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