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“Os governos têm sido incapazes de ter políticas ambientais sérias”

Na marcha pelo clima, em Madrid esta sexta-feira, Catarina Martins sublinhou a necessidade de “alterações concretas” nas políticas ambientais. O Bloco apresenta como prioridades para a COP25 ter “metas vinculativas” para a neutralidade carbónica, não criar um mercado de carbono e salvar a floresta tropical.
Bloco na manifestação pelo Clima à margem da COP 25 Madrid. Dezembro de 2019.
Bloco na manifestação pelo Clima à margem da COP 25 Madrid. Dezembro de 2019.

O Bloco também esteve nas ruas de Madrid, esta sexta-feira, para a marcha pelo clima que reuniu meio milhão de pessoas, segundo os organizadores, à margem da cimeira do Clima das Nações Unidas. E a rua, “a greve estudantil e todo o movimento da emergência climática” são “muito importantes” porque “vêm exigir dos governos aquilo que não foi feito até agora”, considera Catarina Martins.

Partindo do princípio que “os governos têm sido incapazes de ter políticas sérias” de combate às alterações climáticas, a coordenadora do Bloco lançou prioridades ambientais.

A primeira delas é “que haja metas vinculativas, políticas concretas para conseguir neutralidade carbónica”. O Bloco pensa que mais do que “boas intenções” são precisas “alterações de fundo na economia” para chegar a resultados.

A segunda é não ceder à tentação de criar os chamados “mercados de carbono”. Nestes, esclarece a dirigente bloquista “quem tem mais dinheiro, os países mais ricos, as empresas mais ricas pagam aos outros para continuar a poluir”. Só que “não precisamos que a poluição seja paga” mas sim “de a travar”. Até porque “não se negoceia com o clima” e “é mesmo preciso reduzir as emissões”. Um mercado de carbono, portanto, permitiria que se continuasse a poluir e “a ter os países pobres mais subdesenvolvidos, enquanto os ricos, que são quem polui mais, vão continuar a poluir”.

Catarina Martins apresenta outra alternativa: “precisamos de um fundo dos países mais ricos que compensem os mais pobres pelas dificuldades que estão a ter com as alterações climáticas”.

A terceira prioridade defendida é “grande preocupação com a floresta tropical”. A coordenadora do Bloco defende que “assim como as petrolíferas têm estado a mandar na política e têm aumentado as emissões” também “o agro-negócio tem estado a destruir a floresta tropical”. O exemplo “mais terrível” é o de Bolsonaro, avalia.

Quando questionada sobre as políticas ambientais em Portugal, Catarina Martins avançou que há ainda “muito por fazer”, nomeadamente porque “as nossas infraestruturas não estão preparadas para as alterações climáticas, o que quer dizer que vamos ter fenómenos climáticos extremos cada vez mais vezes e precisamos de ter um território mais resistente.”

A coordenadora do Bloco pensa que “o governo já deu alguns passo reconhecendo que é possível fechar as centrais a carvão mais cedo do que tinha dito”, seguindo aliás uma reivindicação do Bloco de Esquerda. Mas há outros passos em direções erradas: “em vez de estarmos a apostar na ferrovia está-se a alargar um aeroporto e a construir um outro”.

Catarina Martins pensa que “Portugal nunca teve uma ferrovia com todas as linhas de que precisa, a qualidade, a velocidade” necessárias. E, “a par da transição energética e do solar”, estas são as duas grandes medidas para travar as emissões.

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