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Órfãos do 27 de maio de 1977 querem os restos mortais dos pais

A luta entre frações do MPLA em 1977 terá provocado cerca de 30 mil mortos e desaparecidos. Passados 42 anos, muitos dos descendentes das vítimas continuam sem saber do seu paradeiro. Por isso, criaram uma Associação, a M27, que reclama ao governo angolano que os deixe ter acesso aos restos mortais.
João Van-Dunem no vídeo da Associação M27

Nito Alves foi ministro angolano da Administração Interna até outubro de 1976. Era uma figura destacada do Movimento Para a Libertação de Angola (MPLA) e dirigente de um grupo de militantes que disputou a liderança de Agostinho Neto. Expulso do partido a 21 de maio de 1977, desencadeia seis dias depois um conjunto de ações considerado como um golpe de estado falhado.

A partir daí a repressão abata-se sobre os seus apoiantes. E não só. Estima-se em cerca de 30 mil os mortos e desaparecidos deste episódio violento da história angolana.

Passados 42 anos, os órfãos do 27 de Maio de 1977 não se resignam. Organizam-se para apelar ao governo que devolva os restos mortais das vítimas dessa época e que passe as certidões de óbito em falta. Lançaram o seu apelo por vídeo relembrando que “ao fim de 42 anos, os filhos das vítimas do 27 de Maio em Angola ainda não sabem em que valas comuns estão os seus pais, nem receberam certidões de óbito”.

Vários testemunhos insistem em realizar funerais dos pais para sarar as feridas emocionais que persistem. É o caso de Magog Pereira, filho do comissário municipal Agostinho José Pereira, e de Rui Tukayana, filho de Rui Coelho, chefe de gabinete do primeiro-ministro Lopo do Nascimento. Manifestam esperança que João Lourenço confirme uma

abertura a questão que o seu antecessor no cargo de presidente da República nunca revelou na sequência das declarações deste sobre os “excessos” desta época.

João Van-Dunem, filho de dois dos mais destacados dirigentes do MPLA, José Van-Dunem e a médica Sitta Vales quer ir mais longe. Quer “devolver a dignidade perdida a uma geração de angolanos que tanto se dedicou a etapas fundamentais da luta no período pré e pós-independência”. Considera que a geração dos seus pais apenas “quis construir um modelo de sociedade mais justo, baseado em ideais de honra, solidariedade e fraternidade”.

Para saber mais sobre o 27 de maio de 1977 leia o dossier do esquerda.net sobre o tema aqui.

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