Orçamento deve colocar o crescimento da economia a favor de quem trabalha

22 de August 2017 - 14:48

Catarina Martins visitou o Museu da Carris, em Lisboa, acompanhada pelo candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal Ricardo Robles. Em declarações aos jornalistas, a coordenadora do bloco afirmou que o próximo OE têm de ser direccionado para o emprego.

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Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda em visita à Carris, acompanhada de Ricardo Robles, candidato do Bloco à Câmara de Lisboa. Foto Esquerda.net

A coordenadora do Bloco de Esquerda defendeu esta terça-feira que " o Orçamento do Estado é o momento essencial para colocar o crescimento da economia a favor de quem trabalha, de quem trabalhou e de quem quer trabalhar para não permitirmos que o crescimento da economia seja a apropriação de riqueza por uns poucos".

Catarina Martins salientou a exigência que "o país tem sobre a atual solução governativa", sobretudo por parte dos desempregados e pessoas com salários e pensões baixas. Para a coordenadora do Bloco, o bom momento da economia deve servir para aprofundar a recuperação de rendimentos e a melhoria dos serviços públicos.

A coordenadora bloquista reagiu ainda proposta de verba orçamental do Governo no sentido do aumento da progressividade dos escalões do IRS. Inicialmente foi inscrito um valor de 200 milhões de euros no Programa de Estabilidade.

“O Governo já compreendeu e essa é uma preocupação essencial, que aquilo que tinha colocado no Programa de Estabilidade inicialmente não corresponde à necessidade de alívio fiscal e de maior progressividade fiscal, ou seja, maior justiça fiscal no nosso país. Julgo que o Governo já evoluiu dessa posição inicial e que é preciso ir mais longe", realçou Catarina Martins.

Lembrando que o Bloco preferia ter começado as negociações para o próximo Orçamento do Estado mais cedo, Catarina assegurou que "com mais ou menos tempo a exigência do Bloco de Eesquerda mantém-se".

Além do aumento da progressividade dos escalões do IRS, a líder bloquista leva para a mesa das discussões com o Governo o descongelamento das carreiras dos funcionários públicos e o direito à reforma por inteiro e sem penalizações para "quem começou a trabalhar ainda criança". Uma promessa que a líder do Bloco quer ver cumprida antes da aprovação do Orçamento.

"O último compromisso do Governo era que a 1 de outubro isso estaria resolvido para quem começou a trabalhar aos 14 anos, a lei ainda não foi publicada e o Bloco de Esquerda quer isso resolvido antes do Orçamento do Estado", frisou.

Prevenção e defesa da floresta: "O financiamento tem de chegar a esses projetos"

O Diário de Notícias noticiou esta terça-feira que centenas de candidaturas a fundos comunitários de projetos de defesa da floresta, nomeadamente de prevenção contra incêndios, foram rejeitados, com o argumento de falta de dotação orçamental. O Bloco de Esquerda já pediu explicações ao Ministério da Agricultura.

“Tivemos conhecimento de projetos que tinham todas as condições, que cumpriam todos os requisitos para andarem para a frente, que tinham a ver com a prevenção de incêndios e a intervenção na floresta, uma boa parte deles não foi financiado, embora cumprissem todos os critérios para serem financiados, não houve depois disponibilidade financeira do Estado” frisou Catarina Martins, exigindo que "o financiamento tem de chegar a esses projetos".

“Não há ninguém que não compreenda no país a necessidade de intervenção na floresta. O Governo já veio dizer que vai agir, aguardamos que o faça o mais rapidamente possível”, disse a deputada do Bloco de Esquerda.

Para a coordenadora do Bloco, é essencial continuar o caminho para a melhoria dos serviços públicos. "Temos de fazer uma aposta no investimento do país” lembro que por falta de verba ainda agora houve projetos sobre a prevenção na área da floresta que não foram para a frente", lamentou.


 Catarina Martins e Ricardo Robles numa reunião com a Comissão de Trabalhadores da Carris. Foto Esquerda.net

Ricardo Robles: “É preciso olhar para a Carris e fazer um investimento muito forte”

O candidato do Bloco à Câmara Municipal de Lisboa aproveitou o momento da visita à Carris para falar com a Comissão de Trabalhadores. Ricardo Robles referiu que nos “últimos anos assistimos um ataque feroz no desmantelamento deste serviço público de transportes na cidade de Lisboa e é preciso mudar isso, é preciso fazer um investimento fortíssimo para recuperar o serviço público de transportes da Carris, tanto elétricos como de autocarros”.

Para o candidato bloquista, houve uma degradação da Carris quer em recursos humanos, quer em equipamentos. “Foram centenas de trabalhadores que saíram nos últimos anos, a frota é muito antiga, a idade média dos autocarros é de cerca de doze anos, isto cria muito problemas na gestão de transporte na cidade”, realçou Ricardo Robles.

Ricardo Robles diz que há condições para mais investimento no serviço público de transportes já que no próximo ano “parte das receitas do estacionamento e do imposto de circulação vão ser alocadas ao serviço de transportes, ao reforço da Carris e portanto é preciso fazer essa gestão ano a ano”.

O candidato bloquista à Câmara de Lisboa considera imperativo limpar os passivos da Carris contabilizados em centenas de milhões de euros por forma a dotar a Carris com mais motoristas e renovar a frota de autocarros.

Em relação ao veto presidencial da proposta do Bloco para o impedimento de uma privatização futura da Carris, Ricardo Robles refere que os bloquistas serão coerentes com “a posição anterior” realçando que "não pode voltar o fantasma de uma privatização".