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Operação policial detém nove independentistas catalães

O alvo da ação da Guardia Civil foram nove membros dos Comités de Defesa da República. Polícia fala em tentativa de fabrico de explosivos, independentistas condenam repressão nas vésperas de ser conhecida a sentença do julgamento do referendo.
Imagem junto a um dos apartamentos alvo das buscas da Guardia Civil em Sabaell. Foto CDR Valldoreix/Twitter

Uma operação da Guardia Civil, envolvendo meio milhar de agentes policiais, fez buscas domiciliárias e deteve na madrugada de segunda-feira nove membros dos Comités de Defesa da República em várias localidades catalãs.

Segundo fontes policiais afirmaram ao El Periódico, foram encontrados nas buscas vários materiais que podiam servir para fabricar explosivos. A tese policial é de que estes membros dos Comités de Defesa da República (CDR) — grupos locais que funcionam de forma assembleária e foram criados por altura do processo que levou ao referendo de 1 de outubro de 2017 — se preparavam para assinalar de forma violenta o segundo aniversário do referendo e a leitura da sentença do julgamento aos líderes políticos do independentismo.

“A máquina das forças repressoras do Reino de Espanha faz de nós um alvo. Por muito que façam buscas indiscriminadas e detenções arbitrárias, não vão prender um povo determinado e combativo”, respondem os CDR nas redes sociais.

Em Sabadell, cerca de uma centena de pessoas dirigiu-se a um dos locais onde decorrem as buscas, cantando “Não estão sozinhos” junto ao cordão policial.

Para além de uma concentração marcada para o fim da tarde em Sabadell, os grupos parlamentares dos partidos que compõem o governo catalão requereram a presença do Ministro do Interior no parlamento espanhol. A porta-voz do Junts per Catalunya no parlamento espanhol, Laura Borràs, criticou o que chama de “operação opaca e criminalizadora contra o independentismo” e questiona: “Primeiro prendem, depois investigam? Queremos explicações!”, exclama.

A tentativa de associação dos CDR a grupos terroristas não é nova e já foi ensaiada no caso de Tamara Carrasco, uma ativista detida no ano passado e mantida durante mais de um ano em prisão domiciliária. Enquanto a Procuradoria pedia a prisão preventiva e a acusação por terrorismo, o juiz da Audiencia Nacional não aceitou os argumentos e apenas prosseguiu a acusação por desordem pública. A acusação baseava-se em gravações audio difundidas em grupos no Whatsapp e Telegram em que Tamara falava de várias ações de cortes de estrada, sabotagens e preparação de uma greve geral em protesto contra a prisão dos políticos independentistas.

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