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ONU insta políticos europeus a condenarem manifestações da extrema-direita

O Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos afirmou esta quarta-feira que as manifestações e as “caçadas” a imigrantes registadas nos últimos dias na Alemanha são "verdadeiramente chocantes" e denunciou a “corrente de preconceitos ligados à extrema-direita que se infiltram nos media”.
Foto de Filip Singer, Lusa/EPA.

Desde o passado domingo, membros da extrema-direita alemã têm organizado “caçadas” a imigrantes e manifestações durante as quais são feitas saudações nazis e entoados slogans do regime de Hitler. Os episódios de violência registados nos últimos dias, e que já causaram dezenas de feridos, surgiram na sequência da morte de um cidadão de nacionalidade alemã, esfaqueado numa rixa de rua por motivos ainda desconhecidos. Os suspeitos, já detidos pela polícia, são dois cidadãos de nacionalidade síria e iraquiana.

Afirmando que quem matou o cidadão alemão “deve ser punido”, o Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos destacou, por outro lado, que as manifestações e as “caçadas” a imigrantes promovidas pela extrema-direita são "verdadeiramente chocantes".

“Penso que é fundamentalmente importante que os responsáveis políticos de toda a Europa denunciem isto”, assinalou Zeid Reid al-Hussein numa conferência de imprensa em Genebra.

“Podemos por vezes sentir-nos desencorajados por ver que o avanço contínuo destes partidos de extrema-direita, com uma amnésia aparentemente total e uma falta de orientação a longo prazo, continua apesar do que vemos”, acrescentou o Alto Comissário.

Zeid Reid al-Hussein defendeu que “não podemos simplesmente ocultar da nossa memória os traumas do passado, porque é assustador ver como os mesmos instrumentos voltam a ser usados”.

O Alto Comissário considerou também “preocupante” que “em vários países europeus, o mesmo crime tem mais cobertura se for cometido por um migrante, do que se for cometido por um não-migrante”, face a “uma corrente de preconceitos ligados à extrema-direita que se infiltram nos media”.


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“É particularmente preocupante ver isto na Europa dado os enormes traumas que a própria Europa testemunhou ao longo do século XX”, rematou.

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