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Onda de indignação força Bolsonaro a revogar decreto

Medida suspendia contratos de trabalho durante quatro meses sem pagamento de salário; justificativa era “defesa do emprego”. Decretada domingo à noite, foi revogada segunda-feira à tarde. Por Luis Leiria.
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Foto de Isac Nóbrega, Agência Brasilde
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Foto de Isac Nóbrega, Agência Brasilde

Nova trapalhada do governo do Brasil. O presidente Jair Bolsonaro anunciou na tarde desta segunda-feira a revogação de uma medida, anunciada na véspera e publicada na noite de domingo em edição especial do Diário Oficial, que permitia a suspensão durante quatro meses dos contratos de trabalho, sem pagamento de salários.

Na manhã desta segunda-feira, o presidente chegou a defender a medida: “Esclarecemos que a referida MP, ao contrário do que espalham, resguarda ajuda possível para os empregados. Ao invés de serem demitidos, o governo entra com ajuda nos próximos quatro meses, até a volta normal das atividades do estabelecimento, sem que exista a demissão do empregado”, escreveu nas redes sociais.

A medida, porém, não tinha referência a essa ajuda e despertou uma imediata onda de indignação por parte das centrais sindicais, que começaram a articular uma reação. “Imagine ficar quatro meses sem salário na atual situação. Além disso, se o trabalhador não aceitar essa decisão, poderá ser demitido. Repudiamos a MP, que passa por cima das convenções coletivas e nem sequer estava sendo negociada”, disse ao Globo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Weller Gonçalves. “Essa medida vai produzir milhões de desempregados e será impossível recuperar a estrutura que as empresas tinham”, acusou Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, chamou a medida de “capenga” e disse que não correspondia ao que vinha sendo discutido entre o legislativo e a equipa económica do governo.

Às 16h49, Bolsonaro anunciou no Twitter que revogava a medida.

Epidemia de coronavírus não existe”

Na sexta-feira, o governo reviu para baixo a projeção do PIB, de 2,1% para 0,02%, tentando antecipar os efeitos que a epidemia de covid-19 vai causar na economia. Os bancos JPMorgan e Goldman Sachs também alteraram a anterior expetativa de crescimento. O primeiro prevê agora uma contração de 1%, e o segundo um decréscimo de 0,9%.

Mesmo diante destas previsões sombrias, Bolsonaro continua a ironizar a epidemia do coronavírus, à qual chama de “gripezinha”. O seu “guru”, Olavo de Carvalho, responsável pela nomeação dos ministros da Educação e das Relações Exteriores, afirma que “essa endemia simplesmente não existe” e que se trata da “mais vasta manipulação da opinião pública que já aconteceu na história humana”.

Os últimos dados disponíveis registam 1.669 casos do novo coronavírus no Brasil, com 25 mortes.

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Jornalista do Esquerda.net
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