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Onda de calor: este foi o junho mais quente na Europa

Desde que há registos que não havia um mês de junho tão quente na Europa do que o deste ano, contabiliza o Copernicus Climate Change Service. Sobre esta mesma onda de calor que varreu o continente, um relatório do World Weather Attribution analisa a responsabilidade humana no fenómeno.
Calor em Madrid
Calor em Madrid. Foto de Emilio Naranjo/EFE/Lusa

Dois graus acima da temperatura normal. Foi este o valor médio atingido na Europa neste mês de junho. De acordo com os dados revelados esta terça-feira pelo programa da União Europeia Copernicus Climate Change Service (C3S), isto faz com que este tenha sido o mês de junho mais quente no continente desde que há registos, batendo a média do ano de 2016 em 0,1 graus celsius.

A onda de calor que assolou a Europa no final do passado mês de junho foi concentrada e intensiva, causada por uma massa de ar quente vinda do deserto do Saara, explica o C3S. Foram cinco dias de canícula que atingiram França, Alemanha, Áustria, República Checa e as zonas norte de Espanha e de Itália, países nos quais as temperaturas, comparadas com o mesmo período de tempo nos trinta anos passados, ultrapassaram entre 6-10º o normal para a época.

Os especialistas do instituto europeu sublinham que aconteceram vários picos de calor em junho ao longo dos últimos 150, como por exemplo em 1901, 1917 e 1999. Nestes picos registava-se habitualmente a subida de um grau acima do normal. 2019 foi, também nesta comparação, um ano excecional uma vez que este pico foi 1,5º acima do normal nos cem anos precedentes.

O C3S é prudente na relação direta deste pico de calor com as alterações climáticas. Pode ler-se na sua análise que “é dificil atribuir diretamente esta onda de calor às alterações climáticas” mas apesar disso afirma-se claramente que “é esperado que tais acontecimentos climáticos extremos se tornem mais comuns à medida que o planeta continua a aquecer devido ao aumento da concentração de gases com efeito de estufa. O diretor da organização, Jean-Noël Thépaut, alega precisamente isso: “apesar disto ter sido excecional, é provável que vejamos mais destes acontecimentos no futuro devido às alterações climáticas”.

Ondas de calor cada vez mais prováveis na Europa

Por sua vez o grupo World Weather Attribution, uma parceria entre o Instituto para as Alterações Climáticas da Universidade de Oxford, do Instituto Meteorológico Real da Holanda e do Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, lançou um relatório, assinado por vários académicos, em que conclui que as ondas de calor na Europa são tornadas “mais prováveis e mais intensas devido às mudanças climáticas induzidas pelo ser humano”.

O estudo da WWA toma duas escalas, França no seu todo e Toulouse em particular, para analisar picos de calor nos meses de junho. Conclui que as ondas de calor intensas são hoje dez vezes mais frequentes do que há um século, que estas são mortais e que o seu risco para a saúde humana é “agravado pelas alterações climáticas mas também por outros fatores como o envelhecimento, a urbanização, alterações nas estruturas sociais e níveis de prontidão.”

Para os especialistas as alterações climáticas terão feito com que a onda de calor fosse cinco vezes mais provável de acontecer.

Um dos investigadores responsáveis pelo estudo, Geert Jan van Oldenborgh, sublinhou em declarações à Reuters que “as alterações climáticas já não são um aumento abstracto da temperatura média global, mas uma diferença que é possível sentir quando saímos à rua durante uma onda de calor”. E o seu colega Robert Vautard acrescentou que a intensidade “pode-se tornar a norma em meados deste século”.

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