OMS alerta para regresso do sarampo na Europa

29 de August 2019 - 11:56

O número de casos de sarampo na Europa duplicou no primeiro semestre deste ano face ao mesmo período de 2018. A doença regressou a quatro países onde estava dada como eliminada.

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vacinação na Ucrânia
A Ucrânia é um dos países com mais surtos de sarampo, graças a baixa cobertura de imunização. Foto ONU Ucrânia/Flickr

"O regresso da transmissão do sarampo é um problema preocupante: se não conseguirmos estabelecer e manter alta a cobertura de imunização em cada comunidade, crianças e adultos terão um sofrimento desnecessário e alguns estarão condenados a uma morte trágica", alertou Günter Pfaff, presidente do Comité Regional para a Verificação da Eliminação do Sarampo e da Rubéola, no comunicado divulgado esta quinta-feira pela OMS em Copenhaga.

Esta doença estava em regressão até 2016, mas desde então tem ressurgido. A dificuldade de acesso a cuidados de saúde e a desconfiança em relação às vacinas, baseada em estudos falsificados e que se tem propagado nos países desenvolvidos, tem contribuído para a diminuição da cobertura de imunização à doença.

Segundo os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), foram registados cerca de 90 mil casos de sarampo no primeiro semestre de 2019, mais do dobro dos cerca de 44 mil casos registados no mesmo período do ano anterior e ultrapassando mesmo o número total de casos em 2018, cerca de 84 mil.

Em quatro países europeus onde a doença já fora dada como eliminada, graças à ausência de transmissão por 12 meses, os casos de sarampo regressaram. São eles o Reino Unido, Grécia, Albânia e República Checa. "Cada um desses países é um exemplo de cobertura nacional de imunização extremamente alta, portanto não são exemplos de países com sistemas particularmente fracos (de saúde)", disse a diretora do departamento de vacinação da OMS, citada pela Lusa. Kate O'Brien acrescentou que esse regresso serve de “alerta para o mundo”, pois “não basta atingir uma alta cobertura nacional, deve ser feito um esforço em todas as comunidades e famílias".

Os países de leste têm contribuído mais para este aumento dos casos de contágio, com o Cazaquistão, a Geórgia, a Rússia e a Ucrânia a representarem 60% dos casos registados no primeiro semestre do ano. Em sentido contrário, a Áustria e a Suíça alcançaram o estatuto da eliminação da doença ao fim de 36 meses sem transmissão contínua. Portugal registou 10 casos de sarampo até ao início de agosto, quando em todo o ano passado foram confirmados 171 casos e três surtos de sarampo, entretanto dados como extintos.

A nível global, o número de casos triplicou no primeiro semestre do ano face a 2018 e a OMS calcula que em todo o mundo apenas um em cada dez casos seja relatado, pelo que a dimensão da epidemia é bem maior do que as estatísticas apontam. Para além da Ucrânia, os maiores surtos de sarampo deste ano foram registados na República Democrática do Congo e Madagáscar.

A OMS calcula que morram por ano cerca de 6.7 milhões de mortes relacionadas com sarampo.