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Offshores: “Todo o país está perplexo com o que se passou"

Catarina Martins falou do “silêncio ensurdecedor” de Maria Luís Albuquerque e diz que as explicações de Rocha Andrade e Paulo Núncio sobre os 10 mil milhões que voaram para offshores fora do controlo do fisco serão o primeiro passo no esclarecimento das responsabilidades do governo PSD/CDS no caso.
Catarina Martins em Estremoz
Foto Paulete Matos.

A coordenadora do Bloco de Esquerda visitou esta segunda-feira o Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro e foi abordada pelos jornalistas sobre o escândalo das transferências para offshores que o governo PSD/CDS manteve em segredo durante os quatro anos do seu mandato. Uma escolha política assumida em comunicado pelo ex-secretário de Estado Paulo Núncio, do CDS, após o caso ter sido revelado, e que contrariou a prática seguida de publicação das estatísticas sobre transferências para esconderijos fiscais nos anos anteriores.

Para Catarina Martins, ainda “há tudo para explicar. Ainda não foi ouvido no parlamento nem Paulo Núncio [antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais] nem Rocha Andrade [atual titular da pasta]. Sendo certo que é uma responsabilidade do anterior Governo, é preciso também perceber o que está a ser feito agora", afirmou a dirigente do Bloco à agência Lusa.

“Há pelo menos um silêncio ensurdecedor de Maria Luís Albuquerque, que eu acho que ninguém percebe neste país”, prosseguiu Catarina Martins, referindo-se à antiga ministra das Finanças, superior direta de Paulo Núncio, que será ouvido na quarta-feira no Parlamento, a par de Rocha Andrade. "Depois destas duas audições, é preciso compreender que mais passos haverá a dar. Todo o país está perplexo com o que se passou", acrescentou a líder bloquista.  

Catarina Martins referiu-se ainda à atrapalhação da direita com a revelação do escândalo na semana passada: "Na quinta-feira, a direita dizia que era uma notícia inventada, na sexta-feira que a culpa era da Autoridade Tributária, no sábado Paulo Núncio assume que há responsabilidade política. E depois tivemos no domingo a situação ‘sui generis’ de Assunção Cristas dizer que o homem que permitiu fugas para 'offshore' sem publicação é alguém a quem o país deve muito”, resumiu.

Banco de Portugal aplaude iniciativa do Bloco que obriga à publicação de estatísticas das transferências para offshores

A coordenadora do Bloco defende que é necessário agora “tentar perceber todas as transferências que aconteceram, investigá-las como devem ser investigadas, mas também para a frente alterar a legislação”. Para isso, o Bloco tem já em debate na especialidade a proposta de que as estatísticas sobre transferências de dinheiro para offshores sejam obrigatoriamente publicadas.

Esta segunda-feira, o jornal Público recorda que esta proposta do Bloco tem o aval do Banco de Portugal. Num parecer emitido em novembro, o Banco de Portugal concorda que a publicação dessas estatísticas deixe de estar dependente de um despacho do governante e passe a estar inscrita na Lei Geral Tributária. “Aplaude-se, assim, a presente iniciativa, que permitirá, até, ao Banco de Portugal validar a qualidade dos dados que recolhe” junto das entidades financeiras.

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