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OE'2021 é o momento "para proteger as gerações mais jovens nesta pandemia"

Após uma reunião com o Conselho Nacional de Juventude, Catarina Martins reforçou duas das propostas do Bloco no debate orçamental na especialidade: a reversão do alargamento do período experimental e proteção dos trabalhadores precários quando as empresas são apoiadas pelo Estado.
Catarina Martins reúne com a CNJ. Novembro de 2020.
Catarina Martins reúne com a CNJ. Novembro de 2020.

Catarina Martins encontrou-se esta quarta-feira com representantes do Conselho Nacional de Juventude. À saída da reunião, para além de agradecer o trabalho desenvolvido pela instituição, reafirmou duas propostas “essenciais na resposta à crise” para as gerações mais jovens: a reversão do alargamento do período experimental e a proteção dos trabalhadores precários quando as empresas são apoiadas pelo Estado.

A coordenadora do Bloco lembrou que os trabalhadores mais jovens já viveram duas crises seguidas, primeiro a crise financeira e depois a pandémica, e que dessas duas vezes “os trabalhadores precários foram os primeiros a perder emprego, foram aqueles que ficaram sem proteção social e os que, voltando a encontrar emprego num período posterior à crise, o fizeram com salários mais baixos”. Atualmente, dois terços dos trabalhadores mais jovens em Portugal são precários.

A conclusão que tira disto é que a “pressão para descer os salários e os direitos do trabalho em Portugal” tem sido “particularmente penalizadora para as gerações mais jovens que não conseguem autonomização, que não têm salários dignos, muito embora sejam as gerações mais qualificadas que o nosso país já teve”.

Por isso, à beira da votação na especialidade do Orçamento do Estado, a coordenadora bloquista quis deixar o apelo para que “se encare como uma prioridade do país a proteção das gerações mais jovens nesta pandemia”. E voltou a sublinhar duas das doze medidas que o Bloco levou a este debate: reverter o aumento do período experimental, que foi alargado para seis meses para jovens à procura do primeiro emprego, “uma penalização que não se justifica para uma geração mais jovem deste país”; e que em todos os apoios públicos às empresas “sejam protegidos os trabalhadores precários”.

Sobre esta última, esclareceu que “as poucas medidas que existem sobre emprego protegem apenas os trabalhadores efetivos das empresas”. Ficam assim de fora as gerações mais jovens que as empresas podem depois despedir.

O governo tem apresentado medidas mínimas para uma crise máxima”

Questionada pelos jornalistas sobre o processo de debate orçamental, Catarina Martins destacou a dimensão da crise, acusando o governo de ter considerado primeiro que a crise no Verão já estaria resolvida e depois que na segunda vaga, “considerando que tendo a primeira sido mais ou menos controlada, se estaria em condições, face aos avanços científicos e tecnológicos, de ter também o problema resolvido na segunda vaga”. Só que não foi assim e “o país está em enormes dificuldades”.

A porta-voz bloquista pensa que o governo fez um Orçamento a pensar que a recuperação seria imediata no próximo ano. Só que “não há neste momento perspetivas sequer de iniciar uma vacinação antes de abril” e “sabemos que esse é um processo longo. Daí que o próximo vá ser ainda “de crise”.

Catarina Martins diz que “o governo tem apresentado medidas mínimas para uma crise máxima” quando o que “é necessário fazer neste momento na especialidade é reconhecer a gravidade da crise que estamos a viver” para que se possam ter as medidas que respondam ao país. “Achar que vai tudo correr bem não chega. É preciso ter o investimento, a proteção e as regras para que possa correr bem”, concluiu.

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