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“O voto da gente esforçada é no Bloco”

No comício de Braga esta segunda-feira, Catarina Martins apelou ao voto dos trabalhadores em luta, das mulheres que carregam nos ombros a tarefa dos cuidados, das gerações mais jovens que protagonizam a luta climática e dos idosos que tiveram pouco apoio na pandemia. Fernando Rosas apontou baterias às promessas por cumprir do "partido da bazuca".
Catarina Martins e Alexandra Vieira no comício de Braga.
Catarina Martins e Alexandra Vieira no comício de Braga.

Na noite de segunda-feira, Catarina Martins quis começar a sua intervenção no comício distrital de Braga do Bloco de Esquerda com uma palavra para os motoristas de transporte coletivo de passageiros que estiveram em greve “a lutar por eles, pelo país e por toda a gente que trabalha”. A coordenadora do Bloco manifestou solidariedade com aqueles quem lutam “porque não é normal que tenha como salário base o salário mínimo nacional, porque não aceitam ficar a tempo parcial para que se contratem em outsourcing trabalhadores com ainda menos direitos, porque não querem jornadas de trabalho de onze horas”.

O Bloco afirma que o trabalho está “no centro” da sua luta e lembra que no dia em que ocorreu esta greve “em que há trabalhadores que acusam a sua substituição por precários” também se soube que “dos novos empregos criados em Portugal, oito em cada dez são precários”. E “com trabalho precário não há recuperação, só há abuso”.

Catarina Martins lembrou também as mulheres que tem encontrado nas nos mercados e o que lhe têm dito sobre os “dias duros em que ficou tão mais difícil o que já era difícil”. Casos em que ficou “mais distante a consulta do médico”, “mais difícil a dupla e tripla jornada de quem trabalha e toma conta dos filhos ou dos pais que precisam de apoio”, quem “carrega nos ombros o trabalho do cuidado que faz andar o país e que fica quase sempre invisível”.

 Comício de campanha em Braga. Foto de Miguel Martins.

A poucos dias de mais uma manifestação pela justiça climática, a dirigente bloquista realçou ainda a “força das gerações mais jovens que têm a emergência climática, que sabem do perigo que passamos e que querem mudanças a sério pelo seu futuro”. Estas novas gerações “dão das maiores lições de cidadania a todo o mundo” não só na luta pelo ambiente mas também na luta das jovens feministas “que saíram à rua em Braga para reivindicar a segurança e poderem andar na rua quando querem”, na “força das marchas de todas as cores do arco-íris, pela igualdade contra o conservadorismo que faz a discriminação”.

Solidariedade, futuro, clima são também chaves para “um novo projeto para as autarquias” ao contrário do “discurso vazio dos milhões e da inauguração”. Em Braga, “há décadas de estagnação no poder local, depois de Mesquita Machado veio Ricardo Rio e não se vê um novo projeto para quem aqui vive”, apenas “a recusa em reconhecer o momento em que vivemos”. Os ativistas e candidatos do Bloco no distrito têm sido “campeões da luta pelos direitos, contra a opacidade, contra o betão inútil que vai matando os espaços verdes e onde se fazem todos os negócios que nenhum interesse público é capaz de justificar”.

A porta-voz do Bloco recordou ainda o caso da compra de “prémios de Braga destino turístico” para questionar “o que é feito aos trabalhadores precários que fizeram este destino turístico, aos tantos que vieram para cá trabalhar, tiveram algum apoio ou ficaram invisíveis na pandemia?”

Catarina Martins questionou igualmente que “em Braga se arranquem árvores para se plantar carros quando aquilo que precisamos é descarbonizar a economia e plantar árvores e ter transportes coletivos”. A habitação voltou a ser tema de destaque, assim como a mobilidade, o saneamento, os espaços verdes, o lazer e a cultura. Tudo razões para eleger uma vereadora do Bloco, o que seria “levar uma lufada de ar fresco para a Câmara de Braga”.

A coordenadora do Bloco terminou então a sua intervenção com o reforço do apelo ao voto à “gente esforçada” de quem já falara, de “quem faz as contas todos os meses para esticar o salário para pagar casas cujos preços cresceram 30 acima dos salários”, “àqueles que sofreram na pandemia, a quem os serviços não chegaram, que por serem mais velhos ficaram fechados em casa e enquanto não houve vacina pouco apoio tiveram”e às gerações mais jovens que lutam pelo clima.

Fernando Rosas: “O partido da bazuca não diz nada a não ser promessas que não cumpriu e que não vai cumprir”

O comício em Braga contou também com a intervenção do ex-deputado e um dos fundadores do Bloco, Fernando Rosas, que começou por saudar “a cidade que mais tem acompanhado o crescimento do Bloco: elegeu dois deputados e agora vai eleger a primeira vereadora do Bloco na Câmara de Braga”.

 Fernando Rosas no comício de campanha em Braga. Foto de Miguel Martins.

Sobre a disputa autárquica local, Rosas afirmou que não há diferenças “entre o clientelismo e as negociatas que fazia o PS quando estava à frente da Câmara e o que faz a aliança de direita que está à frente da Câmara”. Por isso, concluiu que “a diferença nestas eleições é o Bloco de Esquerda”.

Num discurso com baterias apontadas ao Governo e à forma como este intervém na campanha a “anunciar os benefícios da bazuca europeia a quem se portar bem”, bem como aos candidatos do PS que “apelam ao voto a dizer ‘Votem em nós porque nós chegamos ao pote mais depressa’”, Fernando Rosas defendeu que isso acontece porque esses candidatos “não têm programa para resolver os problemas da população, aquilo que realmente interessa à população”. O maior exemplo é a carência de habitação que se tornou “a questão central destas autárquicas” e para a qual as verbas europeias não chegam para dar resposta.

“O partido da bazuca não diz nada a não ser promessas que não cumpriu e que nas condições atuais não vai cumprir. O Bloco apresenta um programa sério, completo e realizável”, contrapôs Rosas.

Ainda sobre a “bazuca europeia”, o historiador lembrou outras ocasiões em que o país recebeu riquezas de fora: “a pimenta da Índia dos séculos XVI e XVII, o ouro e diamantes do Brasil no século XVIII, os fundos europeus do tempo do cavaquismo. Onde é que esse dinheiro foi parar? Porque é que se perdeu em obras sumptuárias, em corrupção e em cimento? Porque a natureza do poder político desviava os fundos da sua missão fundamental para outro tipo de gastos inerentes à natureza social e política de quem mandava. Perdemos várias oportunidades históricas e estamos agora diante de outra”, resumiu.

“Precisamos de uma autarquia do Bloco de Esquerda para fiscalizar o exercício desses fundos quando forem aplicados aqui. O Bloco é garantia de vigilância em nome dos interesses do povo”, concluiu Fernando Rosas.

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