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“O turismo dá milhões, aos trabalhadores só tostões”

A III Cimeira do Turismo contou com o protesto dos sindicatos, que se dizem fartos de verem os patrões “engordar” com o aumento das receitas, enquanto os trabalhadores têm os seus salários e direitos congelados há anos.
Protesto desta terça-feira junto à III Cimeira do Turismo. Foto João Relvas/Lusa

“Estamos aqui porque os salários estão bloqueados, algumas tabelas desde 2008 e 2009, e temos direito a melhores salários”, afirmou Francisco Figueiredo, coordenador da Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (Fesaht) ao jornal Público.

O protesto realizado nas traseiras do Museu do Oriente, em Lisboa, onde os operadores turísticos participaram no encontro organizado pela Confederação do Turismo Português, não deixou passar em claro que o setor vive tempos de bonança em Portugal, mas os trabalhadores continuam afastados da repartição dos ganhos obtidos com os recordes de receitas do turismo.

"2016 foi um ano excelente no turismo e os salários dos trabalhadores continuam congelados”, enquanto os patrões "estão a engordar" à custa dos direitos dos trabalhadores, afirmou o dirigente sindical, citado pela TSF. Uma das palavras de ordem do protesto foi “O turismo dá milhões, aos trabalhadores só tostões”.

Para além do congelamento salarial e do bloqueio da contratação coletiva, os sindicatos contestam ainda a precariedade em todo o setor, desde as pastelarias aos hotéis de 5 estrelas. "Há hotéis onde os serviços de restauração, limpeza, quartos, são assegurados por trabalhadores de fora, de empresas outsorcing ou então trabalhadores temporários”, denuncia o sindicalista, apelando ao governo para tomar medidas para travar esta realidade. “Defendemos que os hotéis têm de ter um quadro mínimo de trabalhadores por categoria”, acrescentou Francisco Figueiredo.

Presente no protesto, o líder da CGTP lembrou que “são os trabalhadores deste setor que têm o maior número a receber o salário mínimo nacional. Isto não se justifica num setor que tem tanto negócio e tanto lucro”. Para Arménio Carlos, a situação atual no setor do turismo pode resumir-se desta forma: “É 5 estrelas para os administradores dos hotéis, mas é salário mínimo para os trabalhadores que todos os dias produzem riqueza e dão a cara junto dos turistas para os servir com qualidade, cordialidade e simpatia”.

As receitas totais do turismo subiram 18% em julho, revelam os dados do INE, confirmando uma tendência que dura desde 2013, acompanhada do aumento do número de dormidas.

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