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“O trabalho com direitos é um direito constitucional”

Marisa Matias defendeu, esta sexta-feira, que não podemos “deixar calar as vozes dos casos concretos” para mostrar “onde é que falharam as instituições, onde falhou o Presidente da República, e onde não se pode falhar”.
Foto de Paulete Matos

Depois de ter passado o dia em Viana do Castelo, onde esteve reunida com a Comissão de Trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana que representa os trabalhadores despedidos, Marisa Matias esteve, à noite, em Barcelos, onde sublinhou que “estamos a falar de 500 pessoas altamente qualificadas, o que se traduz num país a perder um conhecimento que mais ninguém tem, num setor tão fundamental para o nosso país”, realçando o “impacto devastador” que estes despedimentos terão na economia local.

A eurodeputada denunciou que “tudo foi feito para entregar os Estaleiros de Viana do Castelo aos privados” e lembrou que “disseram na altura que os estaleiros não tinham capacidade técnica suficiente, ou que os barcos que faziam já não tinham qualidade” mas “o último barco que produziram foi vendido, neste contexto de privatização, por 8 milhões de euros, e a empresa que ficou à frente dos estaleiros vendeu-o logo a seguir por 17 milhões”.

A candidata afirmou que “um dia vão ter de se tirar responsabilidades desta história” pois “não podem ser estes trabalhadores a pagar o negócio de alguns e o desperdício daquilo que é de todos/as nós”, numa história “com tanto cheiro a corrupção” e que “não envolveu uma grama de transparência”.

A lógica do que se passou nos estaleiros de Viana é exatamente a mesma lógica que se está a passar na TAP

Marisa Matias afirmou que “a lógica do que se passou nos estaleiros de Viana é exatamente a mesma lógica que se está a passar na TAP”. “Assistimos a um processo de privatização que tinha condições, que implicava rendas para o Estado, que na realidade nem era bem uma privatização mas uma parceria público-privada, mas nós perdemos um ativo fundamental para a economia portuguesa como é a transportadora aérea”, e recordou que esse processo foi feito por um Governo em gestão “que mostrou claramente que sempre foi um gestor de interesses privados e não do interesse público”.

Reagindo às notícias que esta sexta-feira deram conta que a privatização da TAP era irreversível, por já ter sido gasto metade do dinheiro [investido pelo comprador], a candidata esclareceu que “se o dinheiro não foi desbaratado e se não foi roubado, não foi gasto” mas investido, e “se foi investido, continua na empresa”, o que faz com que a TAP não tenha sido desvalorizada, o que deita por terra os argumentos do Presidente da TAP.

“Devemos ter a esperança de ver um país onde a transparência, a clareza, os direitos humanos, os direitos fundamentais, os que são os ativos principais da economia de um país, são o que estão à frente. O interesse colectivo sempre a sobrepor-se aos interesses individuais. Os interesses de todos os cidadãos à frente dos interesses financeiros. As nossas vidas à frente dos negócios. A nossa dignidade à frente dos amiguismos”, concretizou Marisa Matias.

"Em menos de dois meses, três fraudes eleitorais da direita a cair, a sobretaxa não é devolvida, a economia não está acrescer e os cofres estão vazios"

Já Catarina Martins, que também participou na sessão, ironizou os argumentos do anterior Governo, de que as contas públicas estavam a ficar com uma saúde de ferro e que tudo ia valer a pena no final, mas agora, passada as eleições, a sobretaxa “que ia ser devolvida em 35%, afinal é zero”, “ficámos a saber que a economia em Portugal estava estagnada porque o investimento caiu”, e os cofres que Maria Luís Albuquerque dizia estarem cheios com 700 mil milhões de euros, afinal têm 60. "Em menos de dois meses, três fraudes eleitorais da direita a cair, a sobretaxa não é devolvida, a economia não está acrescer e os cofres estão vazios", resumiu.

O mandatário nacional da candidatura presidencial de Marisa Matias, o ator António Capelo,  o deputado e dirigente bloquista Pedro Soares, e José Maria Cardoso foram os restantes intervenientes nesta sessão de Barcelos, que encheu o Auditório da Biblioteca Municipal.

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