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O SIRESP "não aguenta momentos de crise"

No lançamento da candidatura autárquica do Bloco para Serpa, com Alberto Matos, Catarina Martins abordou o SIRESP que considera "um entrave às operações de combate aos incêndios e proteção das populações". 
Catarina Martins com Alberto Matos, candidato do Bloco à Câmara Municipal de Serpa.
Catarina Martins com Alberto Matos, candidato do Bloco à Câmara Municipal de Serpa.

Em visita a Serpa para o lançamento da candidatura de Alberto Matos à Câmara Municipal de Serpa, Catarina Martins foi questionada pela comunicação social sobre a Rede Nacional de Emergência e Segurança (SIRESP), criada em parceria público-privado em 2006. 

"O Bloco de Esquerda foi contra o modelo do SIRESP desde o início, por dois motivos diferentes", relembrou. "Por um lado porque o modelo financeiro é uma PPP que custou ao Estado cinco vezes mais do que o custo concreto do sistema, e não tem nenhum sentido que seja o privado a ter na mão um serviço tão importante quanto o SIRESP. É uma responsabilidade pública. O Estado tem de o gerir como tal. 

"Em segundo lugar, o Bloco de Esquerda também levantou desde o início dúvidas sobre o modelo técnico. Porque o SIRESP tem uma excessiva concentração que não o torna capaz de aguentar momentos de crise", disse.

"O modelo do SIRESP é um modelo que já se sabe que falha. É um modelo que já se sabe que é inútil", acrescentou. 

Sobre o comunicado do SIRESP desta terça-feira, onde a empresa declara que não houve qualquer falha, Catarina Martins relembrou que “a Autoridade Nacional para a Proteção Civil, a primeira Entidade que tem dados para explicar o problema, veio dizer ao país que houve falhas graves nas comunicações ao longo de quatro dias e que nos momentos mais críticos durante os incêndios o SIRESP foi um entrave às operações de combate e proteção das populações. O relatório do SIRESP foi agora publicado, há poucos minutos, mas já é possível ler algumas contradições. Diz que houve uma sobrecarga, mas rejeita falhas. Isto não faz sentido", concluiu. 

Reforma florestal: "avanços positivos, muito caminho para andar"

Sobre as iniciativas neste momento em discussão no parlamento sobre a reforma florestal, Catarina Martins relembrou que "o Bloco de Esquerda é o único partido que tem na Assembleia propostas sobre reforma florestal. São propostas que já foram debatidas na generalidade, estão já há alguns meses na especialidade."

Sobre as propostas apresentadas pelo governo, Catarina Martins diz que "são propostas em que há alguns pontos de divergência, para nós importantes. Entendemos que não dão garantias de combater a mancha contínua de eucaliptos e pinheiro - uma das casas centrais de agravamento dos incêndios - nem é capaz de controlar a área de eucalipto no país". 

"Portugal tem a maior área absoluta de eucalipto da Europa, e uma das maiores do mundo." Por isso, diz, "precisamos de ordenar a floresta; precisamos de perceber que há espécies que são mais perigosas para a segurança das populações, e de investir em espécies autóctones e folhosas, que fazem uma floresta mais diversa e mais segura." 

Considera ainda que "neste momento aumentou a consciência em Portugal da necessidade de intervir na floresta, de aumentar a intervenção pública e de abordar de uma forma séria o problema da mancha contínua de eucaliptos. Vemos disponibilidade da parte do governo para que haja alguns avanços concretos. Há ainda algumas dificuldades sobre esta matéria mas, é um trabalho que está a ser feito."

A par da reforma da floresta, "há passos que podem ser dados de forma consistente, de propostas que estão na especialidade. Medidas de curto prazo para garantir que estamos preparados e evitamos tragédias iguais todos os anos", acrescentou.

As reuniões com o governo para abordar estas matérias têm "dado resultados positivos, mas ainda há muito caminho para andar". 

"Serpa precisa do Hospital a funcionar"

Sobre os problemas de Serpa, Catarina Martins declarou que "houve um desenvolvimento muito grande dos cuidados privados de saúde nos seus vários vectores. Mas há um enorme problema: o Hospital de Serpa não responde. E não tem sequer uma relação com os cuidados primários da população", disse. 

"Na verdade o que aconteceu é que o Hospital de Serpa foi entregue a uma misericórdia. O Bloco de Esquerda propôs que voltasse para a esfera pública. Isso não aconteceu. E nos últimos meses, a situação tem vindo a degradar-se", relembrou.

Para Catarina Martins, "Serpa precisa do Hospital a funcionar. Portanto o que se põe aqui em evidencia é, por um lado, a necessidade do Hospital voltar para a esfera pública, e por outro lado ser capaz de ter um corpo próprio de pessoal médico e de enfermagem para que possa responder sem vir desproteger o trabalho que sido feito entretanto nos cuidados primários." 

E este é um combate contra o abandono do interior: "Há neste momento um problema de falta de profissionais no interior para acudir às necessidades de saúde da população. Essa é também a vertente mais importante de um país que tem afirmado que não quer abandonar o interior e que acha que a coesão do território é importante, então garantir cuidados de saúde é seguramente essencial para que as populações sintam confiança para viver no interior." 

Alberto Matos lança candidatura autárquica a Serpa

A assembleia concelhia de Serpa do Bloco de Esquerda aprovou no passado dia 6 de Junho os nomes dos cabeças de lista à Câmara e Assembleia Municipal de Serpa nas eleições autárquicas de 1 de Outubro de 2017.

Professor e membro da Mesa Nacional e da Coordenadora Distrital de Beja do BE, Alberto Matos foi deputado municipal em Beja (1980-1982), Almada (1994-1997) e Lisboa (1998-2001).

Candidato à Presidência da República em 1996.

Com o mote “Serpa, Terra Amiga”, Alberto Matos destacou as “décadas de resistência ao fascismo” que fazem parte da cultura de Serpa. 

“Em 33 anos de poder municipal unipessoal, Serpa transformou-se em diversas áreas, mas nem todas positivas. Por exemplo, diz, “os campos, quimicamente saturados, o olival intensivo é uma monocultura avassaladora, onde não cresce uma erva nem se ouve um passarinho", disse.

O “absurdo”, diz Alberto Matos, é “plantar olivais em terras impermeáveis que se transformam em lamaçais quando se chega à altura da apanha da azeitona.” 

Com o regadio, "Serpa transformou-se na capital nacional dos transgénicos. E é forte também o trabalho escravo de milhares de imigrantes, com condições de trabalho deploráveis." 

“Perante isto, o poder local é por vezes forte com os fracos, mas fraco perante os fortes. Em 23 de abril deste ano, o executivo camarário aprovou um novo lagar na zona da administração dos caminhos de ferro, que foi declarado de Interesse Público Municipal com vantagens fiscais garantidas à partida, ainda antes de ser investido um cêntimo”, no que Alberto Matos considera ser apenas mais um exemplo do “compadrio” cultivado pelo executivo.

Por isso, Alberto Matos quer “uma Terra Amiga dos direitos humanos, económicos e políticos e sociais numa cidade inclusiva que dê voz aos mais vulneráveis. As crianças, todas elas especiais, os idosos e os imigrantes. Uma terra amiga da paridade de género real e não apenas simbólica.”

Alberto Matos será acompanhado por Carlos Valente, candidato à Assembleia Municipal de Serpa. De 53 anos, é técnico de desenvolvimento rural e membro da Coordenadora Distrital de Beja do BE. Foi mandatário concelhio das candidaturas presidenciais de Manuel Alegre em 2006 e 2011. 

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