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"O que os privados estão a pôr ao dispor do país é uma gota de água num tsunami"

No debate parlamentar com o primeiro-ministro, Catarina Martins voltou a defender a requisição dos privados na saúde para ajudar no combate à pandemia.
Fotografia de António Cotrim/Lusa.
Fotografia de António Cotrim/Lusa.

Catarina Martins voltou a defender esta terça-feira a requisição civil dos privados na saúde. No primeiro plenário parlamentar com a presença de António Costa em 2021, a coordenadora do Bloco de Esquerda criticou também a “hipocrisia” de quem tenta “atirar culpas” no momento mais grave da pandemia no país.

“Quando os privados depois de meses de negociação não são capazes de pôr à disposição do Estado sequer 10% da sua capacidade, se não é agora que os requisitamos, quando? Quando temos hospitais de campanha do SNS que não podem abrir porque não têm profissionais suficientes, mas há profissionais e instalações no privado e não os requisitamos agora, senão agora, quando? Quando?”, questionou a deputada.

"O que os privados estão a pôr ao dispor do país é uma gota de água num tsunami”, apontou, lembrando que os acordos com privados para receber doentes covid, um total de 80 em todo o país, não chegam para um terço dos novos internamentos só do dia de ontem.

“O que os privados estão a pôr ao serviço do país por acordo não chega a 8% da sua capacidade, são apenas 800 camas não covid e 80 camas covid”, prosseguiu Catarina, dirigindo-se a António Costa: “Não chega senhor primeiro ministro, não chega”.

Para reduzir o contágio, a coordenadora bloquista defendeu “que se pare aquilo que pode parar”, mas que isso seja acompanhado pelos apoios sociais necessários e a proteção dos trabalhadores nos locais de trabalho que continuem a funcionar.

"O que a responsabilidade nos pede neste momento não é o passa culpas, mas sim o debater as soluções"

Catarina Martins deu início à sua intervenção no plenário manifestando o seu pesar pelas vítimas da pandemia e agradeceu a todos os profissionais dos serviços essenciais. Lembrou ainda que esta não será a altura adequada para “atirar culpas”.

“Tivemos divergências nos vários momentos e a democracia não pára sobre o que fazer, mas é uma imensa hipocrisia tentarmos atirar culpas de um lado para o outro como se alguém aqui tivesse uma solução milagrosa para o que está a acontecer”, disse.

Catarina Martins garantiu que é importante discutir divergências, “mas o que a responsabilidade nos pede neste momento não é o passa culpas, mas sim o debater as soluções”.

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