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O primeiro número da Seara Nova foi publicado há 100 anos

A revista foi lançada a 15 de outubro de 1921 com uma tiragem de 8.000 exemplares. No próximo domingo, o Esquerda.net publicará um dossier sobre os cem anos da Seara Nova.

Foi numa reunião na Biblioteca Nacional, então dirigida por Jaime Cortesão, que germinou a ideia de uma revista de doutrina e crítica que, por inspiração de dois dos seus fundadores, Aquilino Ribeiro e Câmara Reis, virá a chamar-se Seara Novai.

Raul Proença, Jaime Cortesão e Luís da Câmara Reis, que irá ser administrador e editor da revista ao longo de 40 anos, funcionavam como comissão política do grupo e da revista. Integravam também o corpo diretivo Aquilino Ribeiro, Raul Brandão e Augusto Casimiro, com contributos essencialmente literários, Faria Vasconcelos e Ferreira de Macedo, especialistas em questões pedagógicas, e José Azeredo Perdigão, especialista em questões económicas e financeiras, áreas em que colaboraram frequentemente Ezequiel Campos e Quirino de Jesus.

A Seara Nova pretendia:

“Renovar a mentalidade da elite portuguesa pondo-a em contacto com as realidades do presente e dando-lhe a consciência nítida das necessidade nacionais. Criar uma falange intelectual que ponha com clareza os verdadeiros problemas a resolver, preconize as soluções mais nacionais e mais práticas e se se oponha ao espírito do egoísmo, do desinteresse social e de rapina que caracteriza as elites dominantes. Criar uma opinião pública nacional que obrigue todos, políticos e não políticos, a ter como norma o bem público em vez do interesse de pessoas, grupos ou partidos. Contribuir para a formação, acima das nacionalidades eternas, de uma consciência internacional capaz de dar existência a uma realização cada vez mais perfeita do conceito da humanidade”.

No primeiro número da Seara Nova (página 3) lê-se:

O grupo Seara Nova não lisonjeará nenhuma classe da sociedade.
O grupo Seara Nova não dará a nenhum dos seus aderentes qualquer esperança de benefício pessoal.
O grupo Seara Nova não pretende o poder, mas preparar as condições necessárias de todo o verdadeiro poder.
O grupo Seara Nova quer a Revolução, mas não aplaude as revoluções.
O grupo Seara Nova quer semear em proveito coletivo, e não colher em proveito próprio.
O grupo Seara Nova não se limita a prosternar-se perante as glórias passadas da Pátria: quer criar para a Pátria uma nova glória.
O grupo Seara Nova não olha o passado marcha resolutamente para o futuro.
O grupo Seara Nova não se limita a glorificar os mortos heróis, quer que apareçam os heróis vivos.
O grupo Seara Nova não fará festas, nem lançará morteiros. Dirige todos os esforços para a ação, e para a preocupação do dia de hoje e de amanhã.

Na página de internet da Seara Nova é disponibilizado um espólio digital no qual é possível consultar edições anteriores: de 1921 a 2021.

No próximo domingo, o Esquerda.net publicará um dossier sobre os 100 anos da Seara Nova.


iDocumentário “Há 100 anos, a Seara Nova”, 2 episódios de 55 minutos cada, de Diana Andringa. Transmissão a 14 e 15 de outubro, 20h25, RTP2.

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