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O perigo de o exército israelita se transformar numa milícia

Comité de Solidariedade com a Palestina traduz um artigo de Danièle Kriegel, que descreve o perigo do racismo e intolerância nacional levar à insubordinação dos soldados israelitas, que podem deixar de cumprir ordens e tornar-se uma milícia.
Exercício das forças de segurança palestinianas em Hebron, Palestina, foto de Abed Al Hashlamoun/EPA/Lusa.

O Comité de Solidariedade com a Palestina publica a tradução de um artigo de Danièle Kriegel, no Le Point, no qual a jornalista descreve o perigo de o racismo e a intolerância nacional levarem à insubordinação dos soldados, que, protegidos pela maioria da opinião pública israelita, podem deixar de cumprir ordens e tornar-se uma milícia.

Danièle Kriegel descreve que desde fevereiro que está a decorrer no país uma ofensiva da direita contra os responsáveis militares, “o chefe do Estado-Maior, general Eizenkot, tinha então explicado a alunos do secundário: “Não podemos agir segundo slogans do tipo: Se alguém quer matá-lo, mate-o primeiro. Eu não quero que um soldado descarregue a sua metralhadora sobre uma rapariga de treze anos que o ameaça com uma tesoura”. Vários deputados e ministros reagiram vivamente, qualificando as palavras de Eizenkot de verdadeira “heresia”. “Um militar ameaçado, diziam alguns, deve poder atirar sem hesitar sobre o seu agressor”.”

A situação agravou-se depois de, em março, um soldado israelita ter sido filmado a abater um palestiniano que estava estendido no chão depois de ter ferido um militar com uma faca. Nesse dia, foram mortos pelos soldados israelitas dois palestinianos, Ramzi Qasrawi e Abdelfattah Sharif, mas o vídeo apenas mostra a execução de um deles e o soldado responsável foi detido e julgado em tribunal de guerra. O facto de se ter responsabilizado o soldado foi duramente condenado pela vasta maioria da opinião pública israelita.

Segundo o artigo, para Yagil Levy, de sociologia política, há um “estado de espírito que infiltra cada vez mais o exército, e “que faz com que as regras sobre a abertura de fogo não sejam respeitadas; que haja fenómenos de recusa, ou mesmo de insubordinação entre os soldados. Constatam-se manifestações de racismo nas redes sociais em que participam os soldados. Por fim, há as críticas contra o exército que se expressam no seio mesmo das suas fileiras. Isso ocorre sobretudo nas unidades que operam na Cisjordânia juntamente com os colonos e onde se observa um nacionalismo particularmente forte. Tudo isso preocupa, portanto, o alto comando””.

Danièle Kriegel cita Or Heller, especialista em assuntos militares, que descreve que o exército israelita era “até aqui, a instituição mais popular no país. Hoje, o risco é o seguinte: o de que os soldados obedeçam a uma outra autoridade que não a dos chefes militares... A que provém dos websites, das redes sociais ou de homens políticos”. Essa pressão faz com que o ministro da Defesa, Moshé Yaalon, tema que o exército se transforme numa milícia.

O artigo original, publicado a 9 de maio no Le Point, está disponível aqui. A tradução do Comité de Solidariedade com a Palestina, publicada a 16 de maio, pode ser lida aqui.

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