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O paraíso fiscal Alemanha

Na Alemanha, o sistema financeiro nem pergunta de onde vem o dinheiro que lá é depositado. Por João Ramos de Almeida em Ladrões de Bicicletas.
Markus Meinzer, Tax Justice Network: "BaFin não desempenha efetivamente um controlo de lavagem de dinheiro. Isto pode ser visto a partir do facto de raramente serem passadas multas e quando as passam são ridiculamente baixas"
Markus Meinzer, Tax Justice Network: "BaFin não desempenha efetivamente um controlo de lavagem de dinheiro. Isto pode ser visto a partir do facto de raramente serem passadas multas e quando as passam são ridiculamente baixas"

Fala-se já dos offshores dentro da própria União Europeia. É corrente falar-se - embora sem qualquer tipo de revolta ou represália - das nossas principais empresas que têm as suas sedes de grupo no paraíso fiscal na Holanda. Mas há muitas outras facetas reveladoras de como os líderes da Europa funcionam contra os seus cidadãos.

Na Alemanha, o sistema financeiro nem pergunta de onde vem o dinheiro que lá é depositado. Pelo menos é o que é dito num já conhecido programa investigação no espectro televisivo alemão. Pena que o seu site não tenha as peças traduzidas em inglês. Mas apenas para vocês, e graças à ajuda de um amigo, posso transcrever a peça.

"Boa noite e bem-vindo ao Monitor. Wolfgang Schäuble tem-se apresentado há bastante tempo como um lutador sem medo contra a evasão fiscal e os paraísos fiscais. E ainda mais com a divulgação dos chamados Papéis do Panamá. Mas não olhe para o Panamá. Na Alemanha, prevalecem normas semelhantes às do Caribe, pelo menos no que toca ao controlo da lavagem de dinheiro. E também graças ao ministro das Finanças alemão. A praia não está num paraíso fiscal, não está nas Ilhas Virgens ou no Panamá. A praia do paraíso fiscal é a Alemanha. A Alemanha, um estável, rico e forte país europeu. A Alemanha está no topo da lista das piores jurisdições sigilosas. Mesmo à frente das Bahamas e do Panamá. A Alemanha está no 8º lugar.

Markus Meinzer, Tax Justice Network: "A Alemanha desenrola um tapete vermelho aos criminosos, lavadores de dinheiro e cleptocratas de todo o mundo".

Os bancos alemães têm 3 milhões de milhões de euros (trillions) de dinheiro estrangeiro. Déspotas confiam ao país os seus milhares de milhões. Milhares de milhões que produzem fartos lucros aqui. "Alemanha um oásis fiscal - graças à falta de retenção na fonte". Muitos investidores estrangeiros não pagam impostos sobre os juros que obtêm aqui. E a Alemanha também não comunica estas receitas para os países de origem. Uma ajuda para a evasão fiscal?

Markus Meinzer, Tax Justice Network: "O investidor pode esconder estes rendimentos das autoridades do seu país de origem porque a Alemanha apenas reporta 1% dos casos para as autoridades fiscais".

Sven Giegold (B'90 / The Greens), MEP: "E por isso a Alemanha é um atraente paraíso para a riqueza, para pessoas corruptas de países terceiros". Os bancos alemães oferecem o melhor conselho porque oferece as melhores e mais limpas oportunidades para o dinheiro sujo.

Markus Meinzer, Tax Justice Network: "Os bancos alemães podem aceitar fundos vindos do crime, como a evasão fiscal e corrupção, sem os tornarem aqui puníveis". Ou seja, isto quer dizer que podem providenciar apoio quando os cleptocratas estrangeiros estão a roubar os seus países. "De onde vem o dinheiro, a quem pertence verdadeiramente, ninguém pergunta. Tudo graças à falta de controlo". A Alemanha, a terra das ilimitadas oportunidades de investimento. Propriedades, castelos, arte, hotéis. Tudo é perfeito para esconder capital e fazê-lo multiplicar-se sem risco. Porque a supervisão da lavagem de dinheiro não funciona na Alemanha: há poucas pessoas no controlo das leis.

Markus Meinzer, Tax Justice Network: "BaFin não desempenha efetivamente um controlo de lavagem de dinheiro. Isto pode ser visto a partir do facto de raramente serem passadas multas e quando as passam são ridiculamente baixas". A melhor vantagem para quem quer fugir ao controlo e lavar dinheiro é o seu anonimato. Isto acontece igualmente graças ao governo federal. Porque no paraíso fiscal Alemanha não há transparência. O ministro das Finanças Schauble, o homem que se apresenta como defensor da transparência, manteve a regra em Bruxelas de que qualquer empresa continuará a não ter de tornar público quem está por detrás dela, mantendo-se em secreto os seus nomes.

Markus Meinzer, Tax Justice Network: "Portanto, eu posso atuar como se fosse um investidor num regime offshore porque continuo a não ter de revelar a minha identidade e fazer os meus negócios no sistema financeiro alemão".

O paraíso fiscal Alemanha. Para quê procurar mais longe quando o lucro pode ser encontrado aqui tão perto?

Artigo publicado por João Ramos de Almeida em Ladrões de Bicicletas

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