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“O meu sangue” vem quebrar o tabu da menstruação

Os realizadores pediram a pessoas de várias gerações, experiências de vida, orientações sexuais e géneros que falassem um pouco sobre as suas experiências com a menstruação. O resultado é uma mini série que estreia a 4 de março na RTP Play.
“O meu sangue” vem quebrar o tabu da menstruação
A mini série de três episódios quer dar à menstruação "o protagonismo que ela merece". Imagem de O Meu Sangue.

"Nos anúncios vemos pernas esbeltas, cuecas branquinhas e sangue azulado. A justificação em torno do secretismo menstrual deve-se à alegada repugnância associada ao período. Mas levanta-se a questão: como é que algo tão natural, que gera vida, pode causar repúdio ou nojo?" - é com esta questão que se apresenta O Meu Sangue no site da RTP Play.

São três episódios, disponíveis a partir de 4 de março na RTP Play, onde se podem copos menstruais, sangue que escorre pelas pernas, sangue na banheira, sangue na sanita, sangue nas roupas, nos lençóis, no colchão… O Meu Sangue é uma mini série documental que procura ajudar a desmistificar a menstruação. 

O objetivo de Catarina ‘Tota' Alves e Victor Ferreira é normalizar a menstruação, retratá-la como algo normal e sem a representar como algo feio ou vergonhoso. 

"O período continua a ser um tabu na nossa sociedade, por isso temos de o naturalizar, falar sobre ele e dar-lhe o protagonismo que merece”, explica Tota Alves, defendendo ser necessário “desmistificar o nojo que está associado à menstruação”. Por isso, os eufemismos do líquido azul utilizados nos anúncios de pensos higiénicos ficam de fora deste trabalho. 

“Se uma pessoa fizer uma ferida no dedo ou sangrar do nariz ninguém fica enojado, mas como é sangue que sai da vagina há vergonha e repúdio”, diz a realizadora ao esquerda.net.

 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Isto não é um filme de terror... @omeusangue estreia a 4 de março, na #RTPPlay.

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O tabu é de tal forma grande que dá origem a muita falta de informação sobre algo natural. A mini série explica, por exemplo, que “nem todos os sangues que saem da vagina são menstruação”, pois pessoas que tomem a pílula têm uma “hemorragia de privação” e não período menstrual. 

A recolha de testemunhos surgiu a partir de uma publicação no Facebook onde pedia que as pessoas lhe falassem sobre a menarca, a primeira menstruação, e também sobre as suas experiências com dores menstruais, experiências sexuais e métodos para conter o sangue, entre outros. 

O resultado foi uma mini série que recolhe experiências diversas através da partilha de testemunhos de pessoas de diferentes gerações, idades e orientações sexuais. E porque "não são só as mulheres que têm o período”, O Meu Sangue conta com relatos de pessoas de todos os géneros: “todas as pessoas com útero podem ter o período, inclusive homens”, explica a realizadora.

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