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“O Governo não fez nada sobre o trabalho por turnos”

Num encontro com o Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte, Catarina Martins sublinhou que “os trabalhadores estão hoje pior do que estavam porque estão mais precários e com horários mais desregulados”, mesmo em setores não afetados pela pandemia.
Encontro do Bloco com o Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte. Janeiro de 2020.
Encontro do Bloco com o Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte. Janeiro de 2020.

Catarina Martins, Moisés Ferreira e José Soeiro integraram a delegação do Bloco de Esquerda que foi esta sexta-feira encontrar-se com o Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte, em Santa Maria de Lamas, Aveiro. Este encontro, explicou a coordenadora do Bloco, insere-se num “levantamento das condições dos trabalhadores” que o Bloco está a levar a cabo.

A dirigente bloquista tomou conhecimento que “o setor da cortiça não foi particularmente afetado pela pandemia” porque “continuou a ter encomendas e a trabalhar”. Mas mesmo num setor com estas características, “enquanto se olha para a pandemia têm aumentado os abusos sobre os trabalhadores”. Aumento da precariedade e desregulação de horários são os eixos mais fortes destes abusos.

Para Catarina Martins, o alargamento do período experimental “desprotegeu” trabalhadores até em setores não afetados pela pandemia. “Agora trabalhadores em atividades que não são particularmente complexas têm um período experimental de seis meses. E ao fim de seis meses vão-se embora sem direito a indemnização, sem direito a nada. E depois passam para outra empresa do mesmo grupo económico por vezes para mais seis meses assim. É uma precariedade completa”, descreveu.

Apesar do alargamento do período experimental não ser “a única razão” da precariedade num setor onde muitos trabalhadores estão a entrar em idade de reforma e a ser substituídos por trabalhadores mais novos “numa situação mais precária”, este “só serviu para agravar a situação”.

O trabalho dos corticeiros é também um bom exemplo de um setor no qual se vai instalando “o trabalho por turnos à margem da lei”, acrescentou. Catarina Martins realça que a “chantagem” sobre horários aumentou “e o governo não fez nada, nomeadamente sobre horários por turnos”, Isto “embora estivesse no Orçamento de Estado para 2020 que tinha de haver um estudo sobre as condições”. Passado este tempo todo “nem os trabalhadores viram as suas condições alteradas, nem os deputados nunca conheceram nenhum estudo”.

Os novos trabalhadores que estão a entrar nesta área começam a trabalhar “com um horário qualquer”. Só que, “nesta situação de pandemia, o que se prova é que proteger os trabalhadores é fundamental mesmo nos setores em que há encomendas”, pois “o trabalho por turnos tem consequências muito complicadas do ponto de vista da saúde”, avisou.

“Os trabalhadores estão hoje pior do que estavam porque estão mais precários e com horários mais desregulados”, concluiu.

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