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"O fim da Guerra Fria não foi o fim da história"

António Guterres foi empossado como Secretário Geral da ONU. No discurso de tomada de posse, centrou-se nos conflitos armados que proliferam e deixou uma mensagem de verdade para Trump.

"O fim da Guerra Fria não foi o fim da historia", afirmou hoje o novo secretário geral da ONU António Guterres, ex-primeiro ministro de Portugal e Comissário da ONU para os refugiados nos últimos oito anos.

O discurso necessariamente diplomático não o impediu de centrar as suas várias intervenções do dia num objetivo forte: o trabalho da ONU para reduzir conflitos armados, as responsabilidades das grandes potências e urgência de tratar dos mais vulneráveis a começar pelos refugiados.

“É chegada a altura de as Nações Unidas reconhecerem as suas insuficiências e alterar o que precisa de ser alterado. Chegou a hora da ONU mudar”, defendeu António Guterres.

No que respeita à reforma administrativa da ONU, o novo secretário geral da organização assinalou que “finalmente, a reforma da gestão deve atingir a paridade de género”. “O objetivo inicial de representação tinha-se estabelecido como meta o ano 2000. Decorridos 16 anos, ainda estamos longe de a atingir”, assinalou, comprometendo-se “a ultrapassar esta questão”.

Guterres priorizou ainda o trabalho pela paz e o apoio ao desenvolvimento sustentável, garantindo que os Estados-membros alcançam “as medidas propostas do Acordo de Paris”, sem que “ninguém seja deixado para trás”.

“Novas guerras surgiram”

António Guterres recentrou a forma como os diferentes conflitos armados funcionam hoje, com relações ambíguas entre as diferentes potências, num mundo cheio de "tensões" onde "as guerras não têm vencedores. Todos perdem".

“Os conflitos tornaram-se mais complexos e mais interligados do que antes. Foram feitas violações horríveis dos Direitos Humanos e as pessoas foram obrigadas a fugir. (…) Os últimos 20 anos testemunharam um crescimento. Muitos indicadores sociais melhoraram, mas continuaram a haver desigualdades e muitas pessoas foram deixadas para trás”, sublinhou.

O novo secretário geral da organização reconheceu que as pessoas perderam a confiança nos Governos e nas instituições globais, “incluindo as Nações Unidas” e que muitas estão a permitir que o medo “oriente as suas decisões”, pelo que “é altura de trabalhar com os líderes e é tempo de reconstruir a relação entre os cidadãos e os líderes mundiais”.

“A prevenção exige que apoiemos mais os países nos esforços de renovar as suas instituições. Restabelecer os Direitos Humanos como valor fundamental, enquanto si próprios e não como fim político. Toda e qualquer minoria deve pertencer ao grupo social, político e económico sem qualquer restrição”, avançou.

Questionado em conferência de imprensa sobre a relação que pretende ter com o futuro Presidente dos EUA, Donald Trump, Guterres respondeu, "com verdade. A forma de criar confiança é falar verdade".


 

 

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