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O deputado italiano que ajuda a resgatar migrantes foi acusado judicialmente por isso

Erasmo Palazzotto, deputado da Esquerda Italiana que esteve presente na última Convenção do Bloco e chefe de missão do navio de salvamento de refugiados no Mediterrâneo Alex, foi acusado de auxílio à imigração ilegal pela sua ação humanitária. Sem medo da acusação, prescindiu da imunidade parlamentar.

O Alex, um barco de bandeira italiana da ONG Mediterranea, recolheu no sábado passado 41 migrantes em perigo e levou-os em segurança para o porto de Lampedusa.

Na sequência da política atual deste país de fechar os seus portos aos barcos de Organizações Não Governamentais que salvam migrantes e de criminalizar as suas tripulações, houve vários acusados de ajuda à imigração ilegal e uma multa de 16 mil euros para a Mediterranea. Entre eles está o capitão Tommaso Stella. Também na mira da autoridades italianas está o deputado da Esquerda Italiana, Erasmo Palazzoto, que esteve presente na sessão internacionalista Bella Ciao que precedeu a última Convenção do Bloco. Palazzotto afirmou: “estamos absolutamente calmos porque estamos convencidos que operamos de forma correta”. Por isso, anunciou a decisão de renunciar à imunidade parlamentar acrescentando “de forma diferente de alguns ministros não tenho medo de responder pelas minhas ações”.

Quem obviamente não concorda é Salvini. Ainda antes do Alex desembarcar já o Vice-Primeiro-Ministro de extrema-direita pressionava escrevendo no Twitter: “as forças da lei estão prontas para intervir... num país normal haveria prisões imediatas e o barco seria confiscado”. Depois disso, irado por ter sido desafiado com o desembarque acrescentou: “deviam ir para a prisão” acusando-os de “estar a ajudar traficantes de pessoas”. Disse ainda que aumentaria as multas para estes barcos para um milhão de euros. O líder da Liga afirmou ainda na mesma rede social, com toda a certeza, que “o seu [dos refugiados] bote de borracha não tinha problemas”.

O Alex seguiu-se ao SeaWatch3 que a 28 de junho também desafiou a política de Salvini.

Carola Rackete, capitã desse barco, chegou a ficar em prisão domiciliária depois de ter desembarcado. Libertada, anunciou que iria processar as autoridades italianas.

Depois do SeaWatch3 e do Alex, nesta quinta-feira foi a vez da tripulação do Mare Jonio enfrentar as mesmas acusações por ter salvo 30 refugiados que se encontravam à deriva num barco de borracha de cinco metros a 64 km da costa líbia.

Antes do salvamento, a tripulação contactou o Centro de Coordenação de Salvamentos Marítimos italiano que os remeteu para as forças costeiras líbias, “um país em guerra, onde os direitos humanos não são respeitados”, alega a Mediterranea. Havia duas mulheres grávidas a bordo, cinco crianças, uma delas com um ano, alertava a mesma fonte.

Nada disso, coibiu Matteo Salvini de tratar da mesma forma no Twitter este barco celebrando: “esta é a sua última viagem... Bloqueado e capturado. Adeus.”

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