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O Bloco é a esquerda que elege e que abre um novo ciclo

Catarina criticou a direita, "para quem tudo é negócio" e deu uma má notícia a Rui Rio: "na reta final, não é o gato Zé Albino que interessa às pessoas, mas sim o contrato para a saúde e a habitação que estaremos a debater na segunda-feira". Francisco Louçã e José Maria Cardoso intervieram também no comício em Braga.
Foto de Pedro Almeida, esquerda.net

Num comício de sala cheia em Braga, Catarina trouxe o problema da habitação à campanha, algo que afeta "todo o país e todas as gerações", que devia estar no centro das prioridades e que, à direita, só é visto como "um negócio". José Maria Cardoso, cabeça de lista, descreveu os diferentes problemas do distrito, marcado pelas assimetrias entre o litoral e o interior. 

“A habitação determina as condições da nossa democracia e é seguramente um dos problemas maiores deste país. Temos pressa”, afirmou com urgência. “E sabemos como as questões da habitação abalam todas as gerações e o próprio funcionamento do país”, explicou.

Relembrou que as zonas do país que “mais depressa ficam sem professores ou médicos são precisamente aqueles em que a habitação é tão cara que é impossível irem trabalhar para onde são mais necessários”.

E se antes, a falta de habitação “era um problema das novas gerações”, hoje, o problema “varre todas as gerações e todo o país”, seja para os estudantes “que não conseguem aceder a residências universitárias”, seja para “quem começa a sua vida a trabalhar e luta por ter uma casa que chama sua”, ou ainda “os idosos que lutam para não saírem de onde têm a sua vida e a sua rede de apoio”.

Considerando que o preço da habitação nos últimos cinco anos "subiu 51%”, isso quer dizer que “toda a gente que vive do seu trabalho tem hoje muito mais dificuldade em garantir o seu direito básico à habitação”, continuou por dizer.

Mas “há causas para esta subida”. A começar pelos vistos gold “que permeiam a especulação imobiliária”, através dos quais “vêm milionários de todo o mundo que têm inflacionado os preços das casas”. Mas o problema é claro, o Partido Socialista não só protegeu os vistos como tem recusado agir com a urgência necessária.

“Em 2017, na altura o debate sobre habitação, dizia o Governo que o Estado teria 170 mil fogos em habitação pública até ao final da legislatura. Chegámos a 2019, e afinal eram 28 mil até 2024. E chegados a 2021, percebemos que nem isso iria acontecer”, sintetizou Catarina.

“Quando pensamos nas prioridades para este país, dizemos que um Programa de Recuperação e Resiliência só o será se tiver a habitação no seu centro com cem mil fogos a serem recuperados e construídos onde faltarem”, continuou.

“O direito dos mais jovens de se emanciparem e o direito dos mais idosos de saberem que a casa das suas vidas continua sua”, concluiu.

Da direita, “sabemos que não contamos com nada. Há em todo o país um povo que trabalha e que exige o direito à habitação. A direita não dá resposta à vida concreta das pessoas, mas sim ao negócio”. E deixou um recado para Rui Rio: “esta campanha já não é sobre o gato Zé Albino. É sobre o programa para o país. É sobre o contrato que estaremos a debater na segunda-feira para a Saúde, a Habitação e o Trabalho. O Bloco de Esquerda é a esquerda que elege, é a esquerda que vira o jogo e abre um novo ciclo no nosso país”, concluiu.

O distrito de Braga é o espelho das assimetrias entre o litoral e o interior

José Maria Cardoso, eleito em 2019 juntamente com Alexandra Vieira, descreveu o trabalho do Bloco de Esquerda no distrito nos últimos dois anos e nesta campanha.

"Fizemos um périplo pelo distrito para ouvir os problemas e assumir compromissos", e deu exemplos. Em Fafe, "lutámos pela diminuição dos preços das portagens. Sem transportes coletivos, pagam das portagens mais caras do país. Em Barcelos exigimos a velha aspiração de um novo hospital, e a renacionalização do serviço de água. Em Esposende alertámos para a deterioração da linha de costa. Nas maiores cidades levantámos o problema da falta de habitação pública, e uma lei das rendas que provoca falta de habitação acessível. Em Vila Verde promovemos apoios à agricultura tradicional capaz de tratar a terra numa economia circular". 

"Se são precisas respostas para os problemas do imediato, a começar pelo combate às alterações climáticas, temos de saber criar políticas que promovam a coesão regional", disse ainda.

"O distrito de Braga é dos mais jovens, mas tem concelhos que perdem população devido ao encerramento de serviços públicos", relembrou. "O nosso distrito é o espelho das assimetrias entre o litoral e o interior". Por isso, diz, "não há efetiva descentralização sem uma democrática e transparente regionalização", concluiu.

Para Alexandra Vieira, a crise de habitação só se resolve com o aumento do parque habitacional. "É preciso vontade política para que se cumpra o direito constitucional à habitação". O Partido Socialista "quer empurrar todos os problemas com a barriga, e a direita quer entregar as escolas ao negócio". Mas diz, "uma sociedade mais justa é possível. As bandeiras do Estado Social, nunca as abandonaremos".

Não é a direita que nos vai dar direitos e futuro

Catarina Ferraz, estudante universitária que integra as listas de candidatos do Bloco de Esquerda, criticou a ausência de medidas para combater as alterações climáticas "na maior parte dos problemas políticos".

"Não queremos que a política fique nas mãos dos mesmos do costume. Estamos cansados da precariedade laboral assim que entramos no mercado laboral; cansados de propinas que impedem o acesso livre ao ensino superior; cansados da discriminação que assola milhares de jovens todos os dias; cansados de ver o nosso futuro em risco porque as alterações climáticas são negadas pela maior parte dos programas políticas", disse. 

Falou depois da situação dos estudantes universitários e as propostas liberais, nas palavras do candidato da Iniciativa Liberal: “era um princípio bom elaborar uma reforma para que os estudantes pagassem as suas propinas. Eu traduzo: que os estudantes se endividem. Confrontado pela Catarina Martins, Cotrim de Figueiredo fugiu à questão falando de Netflix. A isto chamamos empreendedorismo e prioridades”, ironizou.

"Não é a direita que nos vai dar direitos e futuro. É à esquerda que sabemos que estamos verdadeiramente representandos", concluiu.

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