Nunes da Silva acusa Medina de criar “cidade dual”

04 de September 2017 - 10:41

O ex-vereador da Câmara de Lisboa critica a política de habitação e mobilidade da gestão PS e explica porque se afastou do movimento “Cidadãos por Lisboa”.

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Fernando Nunes da Silva. Imagem CML.

Num artigo publicado no Expresso, Fernando Nunes da Silva diz que as políticas de habitação e mobilidade do atual executivo camarário fizeram Lisboa caminhar para uma “cidade dual”: “De um lado, os bairros sociais, os congestionamentos insuportáveis e os transportes que não funcionam. Do outro, a cidade dos negócios imobiliários, com passeios generosos e estacionamento privado a preços proibitivos”.

Nunes da Silva foi vereador da Mobilidade no executivo municipal de António Costa e deputado municipal eleito nas listas do PS pelo movimento “Cidadãos por Lisboa”, liderado por Helena Roseta e que desde 2013 se integrou nas listas eleitorais do PS. Em 2016,  renunciou ao mandato por discordar com as políticas de Urbanismo do executivo.

Uma das críticas apontadas no artigo publicado este sábado é à responsabilidade da Câmara “na expulsão dos residentes mais idosos e vulneráveis e a perda de 40 mil habitantes desde 2011”. Em vez de mobilizar os milhares de fogos de património municipal para serem alternativa ao mercado privado - como Medina veio agora prometer -, a CML “procurou aproveitar o boom imobiliário lançando no mercado livre o maior número possível dos seus imóveis, nem que para isso tivesse de realojar inquilinos e hipotecasse programas sociais que ‘outra parte’ da Câmara procurava implementar”, aponta Nunes da Silva.

A ausência de políticas de habitação acessível por parte da Câmara, combinada com o aumento do turismo e o investimento na recuperação do espaço público “aceleraram a valorização do património imobiliário, orientando-o para segmentos mais valorizáveis, não poupando sequer as lojas com história’”, prossegue Nunes da Silva.

Quanto às promessas do PS para lançar um programa de milhares de fogos com renda acessível, o ex-vereador dos Cidadãos por Lisboa pergunta: “Porque não o fez quando os sinais de aceleração do mercado eram por demais evidentes?”.

“Alguns políticos preferem não ver, não ouvir e não ler, para melhor poderem ignorar a realidade. Pela minha parte não posso, nem quero, ignorar. Por isso afastei-me dos “Cidadãos por Lisboa”, conclui o professor de Urbanismo e Transportes no Instituto Superior Técnico.