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Número de migrantes resgatados no Canal da Mancha triplicou em 2021

O número de migrantes resgatados no Canal da Mancha e acolhidos em Calais, França, triplicou em 2021. Segundo a Frontex, chegaram à União Europeia quase 200 mil migrantes ao longo do último ano.
Barco da Força de Fronteira da Grã-Bretanha resgata migrantes no Canal da Mancha, 2021 – Foto de Vickie Flores / Epa / Lusa
Barco da Força de Fronteira da Grã-Bretanha resgata migrantes no Canal da Mancha, 2021 – Foto de Vickie Flores / Epa / Lusa

A agência europeia de controlo de fronteiras Frontex anunciou esta terça-feira, 11 de janeiro, que em 2021 chegaram à União Europeia quase 200 mil migrantes sem estarem legalizados. Segundo a Lusa, a Frontex assinala que se trata do número mais alto desde 2017 e que o fluxo migratório voltou aos níveis anteriores à pandemia.

Em relação a 2020 trata-se de um aumento de 57%, quando as restrições impostas pela pandemia implicaram uma queda drástica da migração, mas é também uma subida de 36% em relação a 2019.

Um fator novo no afluxo de migrantes à UE no último ano foi a chegada através da Bielorússia, sobretudo do Médio Oriente. A Frontex sublinha que também houve um aumento de chegadas através do Mediterrâneo central, dos Balcãs Ocidentais e de Chipre. A principal rota destes migrantes foi o Mediterrâneo Central (65.362 migrantes), onde se verificou um aumento de 83%. A agência refere que o maior número de migrantes chegados à UE por esta rota são provenientes de Síria, Tunísia, Marrocos, Argélia e Afeganistão.

Número de migrantes resgatados no Canal da Mancha bate recorde em 2021

Na passada segunda-feira, 10 de janeiro, o organismo francês de imigração e integração (Ofii) divulgou que o número de pessoas naufragadas e resgatadas pela França ao largo de Calais triplicou em 2021.

“O número de pessoas naufragadas ao largo de Calais e resgatadas por França foi de 1.002 em 2021”, contra 341 em 2020, um aumento de 194%, disse o Ofii, segundo a Lusa.

No final de novembro, 27 migrantes morreram num naufrágio no Canal da Mancha, quando tentavam chegar à Grã-Bretanha. Apenas dois migrantes se salvaram e fazem parte do número de migrantes resgatados durante o último ano pela França.

O Ofii refere também que o número de pessoas que vive em acampamentos improvisados na costa norte da França, com intenção de atravessar o Canal da Mancha para o Reino Unido, e que foram “protegidas e encaminhadas para o sistema de acolhimento nacional foi de 31.103” no ano passado, o que significa um aumento de 239% em relação a 2020 (9.172). Segundo o Ofii, foram acolhidas 9.779 pessoas no total em 2021, sendo que a proporção de famílias e de pessoas “vulneráveis” duplicou relativamente ao ano anterior, passando de 1.158 para 2.273.

As organizações que ajudam migrantes têm acusado regularmente as autoridades francesas de terem uma política contra estes migrantes. Em 2020, entre outubro e meados de novembro, vários ativistas fizeram greve da fome contra o desmantelamento quase diário de acampamentos e denunciando o tratamento desumano com que são tratados migrantes e refugiados pelas autoridades.

Segundo as organizações humanitárias em Calais afirmaram ao Guardian, desde o Natal a polícia francesa já levou a cabo mais de 150 operações de despejo, recorrendo a gás lacrimogéneo e bastonadas sobre os imigrantes e refugiados. Os testemunhos dizem que está a aumentar a chegada de afegãos que saíram do país após a tomada de poder pelos talibãs, mas não tiveram a sorte de serem incluídos nos voos de evacuação. E as organizç~es queixam-se das restrições caa vez maiores à sua atividade de apoio a quem tenta ali sobreviver com baixas temperaturas à espera de uma oportunidade para cruzar o canal da Mancha.

Na semana passada, a agência de notícias inglesa PA divulgou que, em 2021, pelo menos 28.395 migrantes atravessaram o Canal da Mancha a bordo de pequenas e frágeis embarcações. Trata-se do triplo do valor registado em 2020.

Ocean Viking” resgatou 2.382 pessoas em 2021

A SOS Méditerranée anunciou em comunicado que, no último ano, o navio “Ocean Viking” resgatou 2.832 pessoas em 33 operações de resgate.

A ONG denuncia o “extremo rigor” das inspeções ao barco que levam a que o navio esteja atualmente bloqueado administrativamente, depois de ter ficado imobilizado em julho de 2020 durante meses devido a deficiências diferentes das atuais.

“Lamentamos o extremo rigor aplicado nas inspeções do nosso navio. Esta inspeção é a sexta a que o “Ocean Viking” foi submetido desde o início das suas operações no Mediterrâneo central em agosto de 2019”, denunciou a SOS Méditerranée.

De acordo com a diretora-geral da ONG em Itália, Valéria Taurino, a SOS Méditerranée viu-se agora “obrigada” a adiar as suas operações.

“Navios humanitários como o “Ocean Viking”, que preenchem o vazio deixado pelos estados europeus, são essenciais para evitar esses naufrágios”, disse Fabienne Lassalle, vice-diretora-geral da SOS Méditerranée France.

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