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“Numa UE em desagregação precisamos da confiança de quem quer mudar o futuro”

Encerrando a sessão internacionalista, Catarina Martins falou sobre o Brexit e afirmou: “A escolha entre UE ou nacionalismo é o campo de escombros que a política da direita nos deixou. À esquerda sabemos que a escolha é outra: é entre autoritarismo e democracia”
"Numa União Europeia em desagregação nada pior do que a resignação ou o medo. Precisamos do sorriso e da confiança de quem quer mudar o futuro, em Espanha, em Portugal, em França, na Escócia, em Inglaterra, em toda a Europa" - Foto de Paulete Matos

Na sessão internacionalista, que teve lugar na noite desta sexta-feira e antecede a X Convenção do Bloco de Esquerda, intervieram Luís Fazenda, que deu as boas-vindas, Sylvia Gabelmann, do movimento Blockupy, Éric Toussaint, do Comité pela Anulação da Dívida do terceiro Mundo e participante das Conferências por um Plano B para a Europa, Zoe Konstantopoulou, ex-presidente do parlamento grego e também participante das Conferências por um Plano B para a Europa, a eurodeputada Marisa Matias, Arthur Moreau, participante do movimento Nuit Debout, e Catarina Martins.

A responsabilidade da esquerda recusar falsas escolhas e lutar por um projeto novo”

“O que se passou a noite passada não foi uma ilha de xenófobos e de antipatia a saírem de uma união de acolhimento e de simpatia”, salientou a porta-voz do Bloco sobre o Brexit, lembrando que “a crise dos refugiados, os muros que se erguem, o vergonhoso acordo com a Turquia, a selva de Calais” são políticas da União Europeia (UE). “Os dirigentes europeus que hoje aparecem chocados com os britânicos querem iludir o mal que têm feito a toda a UE”, destacou.

A deputada avisou que “nos próximos meses, o maior risco é o da aceleração da desagregação da democracia”, recordando que a UE tem sempre respondido assim às crise: “está a correr mal? Avança mais um passo para substituir a democracia pela centralização dos poderes. Os europeus não gostam? Avança mais um passo para calar os europeus”.

“Numa União Europeia em desagregação nada pior do que a resignação ou o medo. Precisamos do sorriso e da confiança de quem quer mudar o futuro, em Espanha, em Portugal, em França, na Escócia, em Inglaterra, em toda a Europa”, frisou a porta-voz do Bloco de Esquerda.

Em conclusão, Catarina Martins sublinhou que “a responsabilidade da esquerda”, em cada país e na Europa, é “recusar falsas escolhas e lutar por um projeto novo”. “A Europa que vale a pena já só existe no futuro e defende-se hoje nas lutas pela soberania popular”, realçou.

O movimento social não pode adormecer se as condições institucionais são melhores”

No início da sessão internacionalista, Luís Fazenda deu as boas-vindas, em nome da comissão internacional do Bloco, realçou que esta sessão desta vez privilegiou a presença de movimentos em vez de partidos, sublinhando que os movimentos sociais proliferam na Europa e ouvi-los é vital. Salientou ainda a necessidade de alianças, com movimentos e partidos, com o objetivo de alterar a relação de forças, reforçando a esquerda.

Sylvia Gabelmann, do movimento Blockupy, explicou que o seu movimento é uma rede de ativismos com presença em vários países e que apoia os movimentos que lutam pela solidariedade, contra as políticas austeritárias e contra a direita. Lembremos que o movimento se destacou nas grandes manifestações em Frankfurt, no combate ao austeritarismo e à políticas do BCE.

Éric Toussaint, do Comité pela Anulação da Dívida do terceiro Mundo e participante das Conferências por um Plano B para a Europa, defendeu que é preciso um plano B alternativo às políticas da UE e da direita e às imposições da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu.

Toussaint criticou a “capitulação do governo de Tsipras”, apontando que o primeiro erro do governo do Syriza “foi assinar o acordo de 20 de fevereiro [de 2015]” e defendeu que a Grécia devia ter suspendido o pagamento da dívida externa.

Toussaint considerou que o Brexit “é a maior crise da UE desde a sua criação”, “uma derrota da CE e das classes dominantes europeias”, realçou que “a UE era o quarto de onde não se podia sair, agora o quadro mudou”. A finalizar, afirmou que “agora, pode haver alternativa de esquerda a favor de uma integração dos povos, a favor dos povos” e que “esta [a atual] integração europeia é uma integração contra os povos”.

A ex-presidente do parlamento grego, Zoe Konstantopoulou, afirmou o seu “orgulho” para com o povo grego e para com todos os povos que lutam pelos seus direitos, acusou a CE e o BCE de usarem “extorsão contra o povo grego”, criticou Tsipras pela capitulação face à UE e acusou-o de ter dissolvido o parlamento grego, “em acordo com os credores”. Zoe denunciou ainda as políticas de austeridade de que o povo grego está a ser vítima, nomeadamente a precariedade do trabalho e as privatizações ao desbarato da propriedade pública.

Marisa Matias afirmou que a Europa vive “uma desagregação” e criticou as políticas que têm dominado os partidos socialistas na Europa, nomeadamente a “passividade, desorientação ou convicção liberal agressiva, que é o que se passa com o governo francês”.

A eurodeputada salientou o papel dos movimentos sociais, destacando que “o movimento social não pode adormecer só porque as condições institucionais são melhores”, realçando a propósito o “caso da luta dos estivadores do porto de Lisboa”. “A vitória da luta e a vitória de ter uma vitória”, afirmou a eurodeputada, sublinhando que “os estivadores mostraram que a luta vale a pena”.

“É decisivo que a esquerda não se limite ao espaço institucional”, realçou Marisa, referindo que “precisamos de derrotar o medo”, denunciando “o acordo vergonhoso que as instituições europeias assinaram com a Turquia” e defendendo que “a força da esperança precisa de partidos, mas também de movimentos”.

Por fim, interveio Arthur Moreau, participante do movimento Nuit Debout, que salientou a importância do movimento que se desencadeou em França e os debates que o atravessam.

Luís Fazenda na sessão internacional "O Tempo dos Movimentos na Europa"

Sylvia Gabelman na sessão "O Tempo dos Movimentos na Europa"

Eric Toussaint na sessão internacional "O Tempo dos Movimentos na Europa"

Zoe Konstantopoulou na sessão internacional "O Tempo dos Movimentos na Europa"

Arthur Moreau na sessão internacional "O Tempo dos Movimentos na Europa"

Marisa Matias na sessão internacional "O Tempo dos Movimentos na Europa"

Catarina Martins na sessão internacional "O Tempo dos Movimentos na Europa"

Termos relacionados Política, X Convenção
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