Nuclear: Putin responde à suspensão dos EUA do tratado de desarmamento

02 de February 2019 - 12:08

Os EUA tinham anunciado na sexta-feira a saída do tratado de desarmamento nuclear de médio alcance. Este sábado, o presidente russo Vladimir Putin respondeu anunciando também ele a suspensão do seu país de um tratado que se mantinha em vigor desde 1987.

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Foto de Kelly Michals/Flickr
Foto de Kelly Michals/Flickr

Putin anunciou às agências noticiosas russas uma “resposta simétrica” aos Estado Unidos. Disse que o governo norte-americano ignora as iniciativas russas de desarmamento e anda à procura de “pretextos para desmantelar o sistema de segurança existente”. Por isso, decidiu suspender negociações sobre desarmamento até que os responsáveis governamentais dos EUA “amadureçam para acompanhar um diálogo consistente e igual”. Mas nega que haja uma “corrida armamentista” entre os dois países.

O tratado em causa é o chamado INF, Intermediate-Range Nuclear Forces, diz respeito às armas nucleares de médio alcance (500 a 5500 quilómetros) e foi assinado em 1987. Tinha sido então considerado um momento histórico, uma vez que era a primeira vez que, apesar deste tipo de armamento corresponder apenas a 4% do arsenal nuclear destes países à altura, era a primeira vez que acordavam destruir toda uma categoria de armamento nuclear.

Rússia e EUA acusam-se mutuamente de infringi-lo. Do lado dos Estados Unidos, tanto Mike Pompeo, secretário de Estado, quanto o presidente Donald Trump, têm vindo a acusar a Rússia de violação deste tratado “com impunidade” e “sem remorsos” por desenvolverem “um sistema de mísseis proibidos, que representa uma ameaça direta aos nossos aliados e aos nossos militares no estrangeiro”. A saída do tratado segue-se ao ultimato que Pompeo tinha lançado em dezembro que dava a este país 60 dias desmantelar os seus mísseis mais recentes. O resto dos países da Nato apoiaram “plenamente” a decisão do governo de Trump.

Nos Estados Unidos, há vozes no Partido Democrata que não estão satisfeitas com a decisão de Trump. Por exemplo, Adam Smith, presidente do Comité da Câmara dos Representantes para as Forças Armadas, alertou para o perigo desta decisão aumentar o risco de guerra nuclear culpando pela decisão “a aversão ideológica da administração para com o controlo de armas como uma ferramente para aumentar a segurança nacional” que estaria a “fazer perigar a nossa segurança, tanto quanto a dos nossos aliados e parceiros”.