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Novo relatório da ONU sobre alterações climáticas “é um balde de realidade”

Relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas alerta para a acidificação dos oceanos ou para a subida do nível médio do mar, independentemente das medidas que tomarmos.
Greve Climática - Foto de Paula Nunes.

De acordo com um novo relatório do IPCC (sigla em inglês de Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas), uma organização intergovernamental no âmbito da ONU, citado pelo jornal Público, e divulgado esta segunda-feira, “a escala das mudanças recentes no sistema climático como um todo e o estado presente de muitos aspetos do sistema do clima não têm precedentes ao longo de muitos séculos a muitos milhares de anos”. O planeta está a aquecer a um ritmo descontrolado e mesmo nos melhores cenários vai ser difícil reverter os seus efeitos.

Os aspetos ligados à acidificação dos oceanos ou à subida do nível médio do mar irão desenvolver-se independentemente das medidas de mitigação que viermos a tomar. No entanto, a redução da emissão de gases com efeito estufa (GEE) pode desacelerar estes efeitos.

Os investigadores que elaboraram este relatório não descobriram grandes mudanças na linha geral do que tem sido divulgado até agora, sobretudo na forma como a humanidade tem influenciado o clima e a sua própria vida no planeta.

Comparando estes dados com o último relatório, datado de 2013, as estimativas para o aumento global da temperatura até 2100 eram de entre 0,3 e 4,8 graus Celsius e agora estão entre 1,4 e 4,4 graus. O aumento do nível do mar estava entre os 18 a 59 centímetros e neste novo relatório está entre os 28 centímetros e 1,88 metros. Mas, no pior dos cenários, pode chegar “quase aos dois metros em 2100”, refere o documento.

A co-presidente do Grupo I, responsável pela investigação, Valérie Masson-Delmotte, sublinha que “este relatório é um balde de realidade”, acrescentando que “temos agora uma visão muito mais clara do clima passado, presente e futuro, o que é essencial para perceber onde vamos, o que pode ser feito, e como nos podemos preparar”.

Para o IPCC é “inequívoco que a influência humana aquece a atmosfera, o oceano e a terra”, considerando que “cada uma das últimas quatro décadas foi sucessivamente mais quente do que qualquer década que a precedeu”. Prevê-se que no Ártico a temperatura aumente de forma mais rápida, duas vezes mais que na restante superfície global terrestre. Em qualquer um dos cinco cenários considerados, o Ártico poderá ficar sem gelo em setembro, pelo menos uma vez, até 2050.

Segundo o relatório, as alterações climáticas estão a desenvolver-se no planeta na sua totalidade, “já que estão a afetar muito extremos meteorológicos e do clima em todas as regiões do globo. Provas de mudanças observadas em (fenómenos) extremos como as ondas de calor, precipitação forte, secas e ciclones tropicais e, em particular, a sua atribuição à influência humana, aumentaram”.

Os investigadores avisam que “muitas mudanças causadas por emissões de GEE passadas e futuras são irreversíveis durante séculos a milénios, especialmente no oceano, lençóis de gelo e nível do mar”.

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