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Novo Banco: Seguradora vendida com prejuízo anuncia lucros

Em 2019, a GNB Vida foi vendida à APAX com 70% de desconto, obrigando o Fundo de Resolução a entregar mais 268,2 milhões de euros ao Novo Banco. Menos de dois anos depois, apresenta lucros substanciais. 
A APAX Partners é propriedade de Greg Lindberg, um bilionário norte-americano condenado por fraude, corrupção e pagamentos indevidos ao Partido Republicano dos EUA. Foto Paulete Matos.
A APAX Partners é propriedade de Greg Lindberg, um bilionário norte-americano condenado por fraude, corrupção e pagamentos indevidos ao Partido Republicano dos EUA. Foto Paulete Matos.

A GNB Vida, renomeada Gama Life depois da sua venda pelo Novo Banco ao fundo APAX, em 2019, anunciou esta sexta-feira lucros de 35,7 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, com uma produção acumulada de 269 milhões de euros, uma subida de 88% face ao período homólogo.

A APAX adquiriu a GNB Vida num negócio envolto em polémica. Entregue por 123 milhões de euros com um desconto de 68,5%, a perda resultante de 268,2 milhões de euros foi compensada pelo Fundo de Resolução.

A APAX Partners é propriedade de Greg Lindberg, um bilionário norte-americano condenado por fraude, corrupção e pagamentos indevidos ao Partido Republicano dos Estados Unidos da América, a troco de benefícios para outra empresa sua, a Global Bankers.

Esta venda gerou, em janeiro de 2020, uma queixa à Autoridade Europeia de Mercados e Títulos onde se requer que esta entidade “investigue os contornos da alienação da seguradora vida portuguesa (que gere as poupanças de milhares de clientes do Novo Banco) a investidores de fundos geridos pela Apax, admitindo um possível conluio’ entre Paulo Ramos Vasconcelos e a administração do Novo Banco, chefiada por Byron Haynes e António Ramalho, com o objetivo de lesar os contribuintes portugueses”. Vasconcelos era presidente executivo da GNB Vida na altura da venda da seguradora.

Segundo o documento, nas contas de 2016 o custo de aquisição da seguradora teria sido de 620,48 milhões de euros e que, a 14 de outubro de 2019, o valor contabilístico da empresa inscrito no relatório do primeiro semestre desse ano passou a ser 391,2 milhões de euros.

Em 2018 o Novo Banco tornou público que tinha chegado a acordo com o Global Bankers Insurance Group e o valor seria 190 milhões. Depois, em outubro de 2019, quando foi efetivamente concluído, o preço afinal tinha descido para 123 milhões, apesar de até ter havido uma valorização bolsista dos seus ativos. António Ramalho justificou que para além daquele montante, haveria uma “componente variável do preço “de até 125 milhões de euros”, indexada a objetivos a cumprir até 2040. A queixa contra esta venda diz que esta “parcela variável não passou de um artifício para desviar as atenções dos prejuízos que o Novo Banco optou por assumir com a venda a desconto da Gama Life à GBIG Portugal”.

A Gama Life e o Novo Banco sempre negaram qualquer ligação a Greg Lindberg. No entanto, logo após a compra de enorme desconto feita ao Novo Banco, o fundo da Apax Partners, atual responsável pela Gama Life, “mudou-se” para a mesma morada de outras empresas de Greg Lindberg logo após o negócio com o banco português ter conseguido aprovação da Autoridade dos Seguros e Fundos de Pensões (ASF). 

Segundo a investigação do Público, assinada por Cristina Ferreira e Pedro Ferreira Esteves, conclui que existem ligações públicas e oficiais entre os compradores da GNB Vida ao Novo Banco e o referido gestor. 

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