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Novo Banco: Ramalho e Vieira sob investigação do BCE

O Banco Central Europeu confirmou estar a analisar a relação entre Luís Filipe Vieira e o banqueiro António Ramalho, depois de se tornar público que terão coordenado a intervenção na Comissão Parlamentar de Inquérito.
Foto de Paulete Matos, esquerda.net.

Os “dados bastante recentes” sobre a relação entre António Ramalho, presidente do Novo Banco, e o ex-presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, terão motivado o Banco de Portugal a remeter os dados para avaliação da idoneidade de Ramalho ao supervisor europeu, que confirma estar “neste momento a investigar a matéria”, confirma o jornal Público.

Em causa estão as escutas, reveladas pela revista Sábado este fim-de-semana, a Luís Filipe Vieira, que apontam para uma coordenação com o presidente do Novo Banco para evitar revelar informações aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão do banco, nomeadamente aos processos de venda de ativos a desconto em esquemas que favoreceram o ex-presidente do Benfica.

Uma das operações incluiu um pacote de cinco ativos, imóveis e cessão de créditos, onde o banco encaixou 15 milhões de euros apesar de a dívida associada atingir os 17,4 milhões. A transação foi assinada a 27 de dezembro de 2019 “num camarote do Estádio da Luz”, com os ativos a serem vendidos formalmente a familiares e amigos de Vieira para iludir a Autoridade Tributária e pedir que o Fundo de Resolução, que representa o Estado no banco, pudesse exercer os seus direitos de fiscalização.

No final de dezembro, o Ministro das Finanças, João Leão, anunciou a injeção de mais 317 milhões de euros no Novo Banco, ignorando a resolução parlamentar que impedia o governo de o fazer.

Depois das revelações das escutas, Catarina Martins considerou que António Ramalho “não tem idoneidade” para continuar à frente do Novo Banco. Para a dirigente bloquista, a articulação foi “dupla” e “muito grave”: foi uma articulação com os grandes devedores que prejudicou o erário público e, ao que sabemos, que serviu para ocultar informações ao Parlamento”.

As escutas envolvem Vítor Fernandes, o ex-administrador do Novo Banco que terá organizado com Vieira o esquema de evasão à fiscalização do Fundo de Resolução.  Em julho, foi nomeado pelo Governo para liderar o Banco de Fomento, apesar de ser um dos responsáveis pelos créditos problemáticos da Caixa Geral de Depósitos. O Governo recuou na nomeação depois de serem públicas as investigações a Fernandes no âmbito da Operação Cartão Vermelho. 

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