CGD em França entra no sexto dia de greve

23 de April 2018 - 9:08

Após a decisão da administração de reunir com os sindicatos minoritários, os trabalhadores da Sucursal de França da Caixa Geral de Depósitos, entram no sexto dia de greve.

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Trabalhadores à porta da sala onde os dirigentes estão reunidos à calada com os sindicatos minoritários
Trabalhadores à porta da sala onde os dirigentes estão reunidos à calada com os sindicatos minoritários

Os trabalhadores da Sucursal de França da Caixa Geral de Depósitos iniciaram, no passado sábado, o quinto dia da greve geral ilimitada votada pela esmagadora maioria do pessoal na Assembleia Geral do passado 12 de Abril. Sobre as 48 agências que conta a rede da instituição pública em França, dezoito estiveram encerradas no sábado (ou seja, num dia contando com a maior afluência de clientela ao banco) e praticamente todas as restantes funcionaram com um efetivo muito reduzido, segundo comunicado aos trabalhadores da Sucursal emanando da intersindical FO-CFTC, a que o esquerda.net teve acesso.

O movimento social tem-se prosseguido e amplificado, não obstante o pedido de desconvocação da greve formulado, na véspera, pelo Administrador da CGD com o pelouro da Sucursal França, José João Guilherme, segundo declarações prestadas esta semana à comunicação social pela porta-voz da intersindical FO-CFTC que representa a maioria dos trabalhadores. A porta-voz indica igualmente que a Frente Sindical que integra, não podia ter ido contra o voto legítimo dos trabalhadores, porque esse voto é soberano, contrariamente ao que fizeram os outros dois sindicatos minoritários (CGT e CFDT) que não seguiram a decisão dos trabalhadores empenhando-se mesmo na dissuasão dos mesmos ou na sua desmobilização.

Foi, no entanto, com os sindicatos minoritários que os representantes da administração se reuniram na sexta-feira, segundo o comunicado divulgado às redacções pela Frente Sindical FO-CFTC que foi excluída das negociações, não obstante o pedido de diálogo presencial formulado repetidamente ao longo do dia, e com dezenas e dezenas de trabalhadores como testemunhas.

Veja o vídeo (abaixo): O DG da Sucursal e o representante da Administração da CGD saem da sala onde decorria pela calada uma reunião com os sindicatos minoritários.

 
A reunião com os sindicatos minoritários CGT e CFDT terá sido todavia, de pouca dura, já que tendo tido conhecimento da mesma, os trabalhadores presentes na Assembleia Geral, invadiram a escadaria e os corredores que dão acesso à sala de reuniões, para protestar contra a exclusão deliberada dos seus representantes. O barulho produzido pelos gritos de protesto dos trabalhadores que, na sua maioria, exibiam cravos vermelhos, e pelos cantos que entoavam, nomeadamente a Grândola Vila Morena, levaram a Direcção Geral da Sucursal e a comitiva vinda de Lisboa, a abandonar a sala onde decorria a reunião com os sindicatos minoritários que não apelaram à greve.

 

Aceda à notícia do Jornal das Comunidades da RDP (aos 6 minutos do áudio , 20 de abril de 2018 às 17.30h)

 

Já a seguir , quando tentavam dirigir-se aos trabalhadores, os responsáveis dos sindicatos minoritários foram vaiados para, finalmente, serem convidados a sair aos gritos de “vão-se embora”, “vão-se embora” entoados pelos trabalhadores grevistas de acordo com o comunicado de imprensa divulgado sexta-feira à noite pela Intersindical FO-CFTC bem como por responsáveis da mesma ouvidos pelo esquerda.net.

Veja-se no vídeo (abaixo) os dirigentes dos sindicatos minoritários vaiados pelos trabalhadores aos gritos de vão-se embora, vão-se embora

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Já em declarações à agência Lusa em Lisboa, a administração do Banco público afirma que os representantes dos sindicatos maioritários foram convocados, mas recusaram comparecer; propósitos idênticos aos da administração foram defendidos pelos responsáveis dos sindicatos minoritários segundo relata a mesma fonte.

Em causa neste movimento de greve, está: a questão da alienação da Sucursal França, prevista no Plano de Reestruturação acordado entre o Governo português e a DGComp; a preservação dos 550 postos de trabalho da instituição; a degradação das condições de trabalho nos últimos anos com impacto na saúde física e mental dos trabalhadores ; “os rios de dinheiro” gastos com projetos que sob pretexto de modernizar a Sucursal, se traduzem na realidade em repetidos e constantes disfuncionamentos afetando para além dos trabalhadores, o serviço prestado à clientela; enfim, o quase congelamento dos salários e carreiras dos trabalhadores da Sucursal, em contradição com o facto de esta ter contribuído de forma avultada para os resultados do Grupo público.

A Intersindical defende que as negociações devem ser realizadas com a Comissão de negociações que foi votada em Assembleia geral de Trabalhadores e interroga-se sobre a lógica de a Administração querer, a todo o custo, sentar à mesa responsáveis sindicais que não só não apelaram à greve, não respeitando o voto dos trabalhadores que se pronunciaram quase por unanimidade em seu favor, como tudo fizeram para impedir a concretização do movimento e se empenham agora afincadamente na sua desmobilização. E, isto, tanto mais quanto, parte dos representantes eleitos pelos sindicatos minoritários se aliaram ao movimento apoiado pela intersindical maioritária FO-CFDT, de que são parte ativa, segundo os responsáveis desta Intersindical. A jurisprudência francesa, reconhece a legitimidade da Comissão de negociações, neste contexto, acrescentam estes responsáveis.

Um grupo de trabalhadores dos mais de 100 que invadiram o edifício, a cantar a Grândola - veja vídeo abaixo

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Os representantes da Administração foram obrigados a sair da sede da instituição em França, a pé , devido ao cordão humano que impediu a saída dos veículos dos locais da Sucursal. O cordão humano era constituído por mais dos 100 trabalhadores que solicitavam a abertura de negociações com a Comissão que eles elegeram para os representar.

Perante a recusa o movimento de greve continua, encetando segunda-feira o seu sexto dia.Ao esquerda.net, os responsáveis sindicais denunciaram a campanha de desinformação lançada pela Administração e pelos sindicatos minoritários desta Sucursal com vista a desacreditar o movimento legítimo dos trabalhadores do Grupo CGD em França.

Artigo atualizado em 27 de abril de 2018, às 11.40h