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“A nossa música reflete aquilo que nos rodeia"

Os Diabo a Sete vão apresentar este sábado, no Teatro da Cerca de S.Bernardo, em Coimbra, o seu terceiro álbum de originais intitulado Figura de Gente. Em entrevista ao esquerda.net, Miguel Cardina afirma que este trabalho dá continuidade à linha seguida pelo grupo e confessa ter dificuldades em assumir um rótulo para classificar a música que fazem.
Os Diabo a Sete apresentam este sábado, em Coimbra, o seu terceiro álbum de originais.

Vão lançar o terceiro álbum da vossa carreira. Pode falar-nos um pouco do grupo e deste novo trabalho?

Os Diabo a Sete nasceram em Coimbra em 2003 e, desde então, têm percorrido vários palcos nacionais (e não só), tocando em festivais como o MED em Loulé, o Intercéltico de Sendim, o Bons Sons em Cem Soldos e o Festival Músicas do Mundo de Sines. O grupo tem vindo a construir um repertório baseado em temas originais e outros inspirados na “música tradicional”, ainda que procurem sempre abordá-los sem preconceitos puristas e com a consciência de que a música que fazemos é contemporânea.

Pode falar-nos do percurso dos Diabo a Sete?

Muitos de nós passaram pelo Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC), uma escola de cultura popular existente na cidade. Sediados no Ateneu de Coimbra, editámos em 2007 o nosso primeiro disco com o nome Parainfernália.

Quatro anos depois, saiu o Tarara, que contou com a participação de vários músicos convidados, entre os quais Carlos Guerreiro (Gaiteiros de Lisboa), uma das vozes do tema Paraíso Fiscal. Este novo trabalho que temos vindo a gravar ao longo dos últimos meses conta ainda com o dedo maravilhoso de Quico Serrano e aprofunda a tarefa de pegar em ritmos, sons e instrumentos associados à tradição e de lhe dar letras, roupagens e desenhos melódicos atuais.

Quando é que vai ser a apresentação?

A pré-apresentação está marcada para este sábado às 21h30 no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra.

E esperam uma boa receção por parte do público?

Com certeza que sim. Aliás, devo dizer que desde que editámos o álbum anterior passou algum tempo e para nós era muito importante ter um novo CD neste momento para condensar algum do trabalho que tínhamos em carteira e também relançar a banda que agora  conta com mais um novo elemento, a Sara Vidal.

Como é que define a música dos Diabo a Sete?

Brincando um pouco, diríamos que fazemos pós-folk...

Independentemente das reticências que levanta, podemos mesmo falar em pós-folk?

Quando não se sabe muito bem o que se faz, coloca-se um “pós” antes da palavra, não é? Nós temos dificuldade em assumir um rótulo para o que fazemos. Não sei se isso é bom ou mau. Mas é o que é.

Há alguma razão especial para ter dificuldades em enquadrar o estilo musical dos Diabo a Sete?

Essencialmente porque o grupo tem seguido uma linha em que conjuga ritmos e instrumentos associados à “música tradicional”, seja lá o que isso for, com um interesse em cruzá-los com sonoridades mais contemporâneas. Fazemos música hoje, para hoje. E também para nos divertirmos, que é uma parte importante do processo.

Algum elemento do grupo vive exclusivamente da música?

Não. Temos outras profissões e vamos conjugando, com diferentes intensidades, a dedicação à música. No meu caso, gosto que a música seja uma parcela do que faço e não a minha vida profissional inteira.

A música também pode ser uma forma de intervir politicamente?

Todo o artista intervém na sociedade. A maneira como se apresenta, o que diz, o que escreve, o que toca, tudo isso revela o modo como vê o que o rodeia. No novo álbum não teremos panfletos políticos, mas as canções falam de valores que fazem parte do quotidiano. Com um certo humor, que também achamos que nos caracteriza.

Quais são as vossas expetivas em relação a este novo trabalho?

Tocar o mais possível e que quem nos ouvir sinta que faz sentido o que pretendemos comunicar.

 Quantos elementos tem o grupo?

Atualmente somos oito. O Celso Bento (flautas e gaita-de-foles), Eduardo Murta (baixo eléctrico), Hugo Natal da Luz (percussões), Luísa Correia (guitarra), Pedro Damasceno (bandolim, cavaquinho, concertina e flautas), Sara Vidal (voz, paideireta e harpa), Julieta Silva (sanfona, concertina e voz) e eu próprio na bateria e percussões.

Entrevista de Pedro Ferreira

 

Tamboril

Diabo a Sete - Paraíso Fiscal

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