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Nigéria: Centenas de alunos raptados em ataque a uma escola

333 alunos continuam desaparecidos depois de um ataque de homens armados a uma escola secundária em Katsina este sábado. Em 2014, 276 raparigas foram raptadas noutro ataque. 
Mães e pais manifestaram-se junto à escola exigindo que o governo atue e resgate os rapazes.
Mães e pais manifestaram-se junto à escola exigindo que o governo atue e resgate os rapazes. Foto via Twitter de @KatsinaTrust

O colégio interno no estado de Katsina tem entre 600 a 800 alunos, dos quais cerca de 333 continuam desaparecidos depois do ataque durante a noite deste sábado.

Segundo a informação reunida pelo jornal Público, o ataque começou entre as 22h e as 23h, quando os rapazes estavam nos dormitórios. Chegando de mota, os atacantes começaram a disparar metralhadoras AK-47, tentando entrar na escola, descreveu o porta-voz da polícia do estado, Isa Gambo. Os seguranças ripostaram e a troca de tiros durou uma hora e meia. Entretanto, alguns alunos conseguiam fugir mas outro grupo de homens entrou na escola e raptou vários rapazes em carrinhas.

De acordo com o governo do estado de Katsina, Aminu Masari, 333 alunos permaneciam desaparecidos no domingo. Pelo menos 200 foram resgatados ou regressaram sozinhos à escola, saindo dos seus esconderijos no sábado. Entretanto, outros foram diretamente para as suas casas.

À indignação pública perante este novo ataque, juntam-se fortes consequências políticas para o Presidente Mudammadu Buhari, que tinha chegado à região no dia anterior para passar férias.

A viagem foi utilizada pelo Presidente para anular uma ida prevista à Assembleia Nacional, dedicada ao debate sobre os problemas de segurança no país. Além disso, Buhari não terá ainda visitado o local do ataque, o que motiva várias críticas públicas e pedidos de demissão por parte da oposição.

“Este desenvolvimento expôs ainda mais os fracassos do Presidente para gerir os níveis de segurança que deve acompanhar uma visita destas”, reagiu o Partido Democrático do Povo, numa declaração citada pela edição nigeriana do jornal The Guardian.

No Twitter, a hashtag #BringBackOurBoys tornou-se o mobilizador das críticas à situação de falta de segurança no país e denúncias à reação de Buhari.

“Se 20 manifestantes pacíficos #EndSARS se juntassem, o Governo de Buhari declarava o recolher obrigatório”, escreveu o empresário Somto Onuchukwu, referindo-se aos protestos contra a brutalidade da força policial Esquadrão Especial Anti-roubo (SARS, em inglês), que juntaram centenas de milhares de nigerianos na rua em Outubro.

“Aqui em Katsina a verdade é que não vemos o valor do Governo”, disse à Al-Jazeera Bint’A Ismail, mãe de uma criança desaparecida e irmã mais velha de outra, que estava na escola desde a madrugada de sábado à espera de notícias.

O paralelo com o rapto de 276 raparigas em 2014 foi imediato. A primeira rapariga resgatada só foi encontrada dois anos depois, e 112 raparigas permanecem por encontrar.

Dezenas destas raparigas foram obrigadas a casa com membros do Boko Haram, grupo terrorista com atividade no nordeste do país desde 2009, tendo já provocado milhares de mortos e dois milhões de deslocados.

Os raptos são cada vez mais frequentes na Nigéria. Dois dias antes do ataque deste sábado, 21 pessoas foram raptadas numa aldeia no mesmo estado. Há duas semanas, dezenas de trabalhadores de campos de arroz foram encontrados mortos no estado de Borno, onde opera o Boko Haram.

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