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“Não tem nenhum sentido aumentar salários aos gestores da Caixa”

Catarina Martins defende a prioridade à recapitalização pública da Caixa e espera que o inquérito anunciado pelo Ministério das Finanças permita esclarecer as contas do banco público.
Foto Paulete Matos

Questionada pelos jornalistas à margem de uma audição parlamentar esta terça-feira, a porta-voz do Bloco saudou o progresso nas negociações com Bruxelas para que haja uma recapitalização da Caixa Geral de Depósitos com dinheiros públicos.

“Houve pressão nos últimos tempos para a privatização da CGD e havia uma grande oposição de uma parte da Comissão à possibilidade de recapitalização pública da CGD, o que era um grande problema”, lembrou Catarina Martins, dizendo esperar que esse debate esteja encerrado em Portugal.

“Para o Bloco, é uma prioridade a recapitalização pública da CGD e era bom que todos os partidos se pronunciassem sobre esta matéria”, acrescentou.

A porta-voz do Bloco disse ainda que “outro problema é compreender o que aconteceu à Caixa”, para além dos problemas comuns a todo o sistema financeiro que viu os seus ativos desvalorizarem-se. ”Os montantes que a Caixa precisa e os devedores da Caixa com crédito malparado são preocupantes”, alertou.

“O Ministério das Finanças já disse que vai haver um inquérito e nós queremos perceber as contas da Caixa mais cedo do que tarde”, concluiu Catarina, sublinhando a posição do Bloco sobre as mudanças nas remunerações da nova administração: “Achamos que não tem nenhum sentido aumentar os salários dos gestores da Caixa”.

António Costa “não fez escolha feliz” ao ligar demografia e desemprego de professores

Questionada pelos jornalistas sobre as palavras do primeiro-ministro acerca da potencial oportunidade de emprego para os professores de português desempregados em França, e as suas semelhanças com as declarações de Passos Coelho a incentivar a emigração dos professores que tirou da escola pública, Catarina Martins contestou o recurso ao argumento demográfico para explicar o desemprego de professores.

“O número de alunos desceu apenas 6% e o de professores 20%, por isso não há um problema demográfico no emprego de professores, há escolhas políticas”, sublinhou a porta-voz bloquista. “Preocupa-nos que se continue a laborar num erro sobre a proporção entre alunos e professores no nosso país, porque diminuiu-se muito o número de professores face à diminuição do número de alunos e isso é um problema para a escola pública que é importante corrigir”, prosseguiu.

“O último governo atacou fortemente o ensino de português nas comunidades, aumentando as propinas que as famílias têm de pagar para valores incomportáveis. Gostaria de perceber quais são os avanços nessa matéria, porque isso é que seria uma boa notícia”, concluiu Catarina.

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