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Não se pode defender na Europa aquilo que se recusa no país, diz Marisa

Em declarações ao Fórum TSF esta segunda-feira, a eurodeputada considera que “não se pode prometer na Europa o combate à pobreza e recusar em Portugal os apoios necessários para reduzir a pobreza”.
 “A meta proclamada propõe a redução de 15 milhões de pobres, o que significa que continua a aceitar 66 milhões de pobres na União Europeia”, relembra Marisa Matias.
“A meta proclamada propõe a redução de 15 milhões de pobres, o que significa que continua a aceitar 66 milhões de pobres na União Europeia”, relembra Marisa Matias. Foto Mário Cruz/Lusa

Num Fórum TSF dedicado à cimeira organizada pela presidência portuguesa da União Europeia, que aconteceu este fim-de-semana no Porto, as intervenções públicas foram dominadas por posições céticas face aos objetivos ou à capacidade dos países membros em garantirem os objetivos declarados na cimeira: redução de 15 milhões de cidadãos na pobreza até 2030, dos quais 5 milhões de crianças, e aumentar em 60% o número de trabalhadores em formação.

“As metas para o combate à pobreza e ao desemprego são um passo em frente? Com que expectativas aguarda as negociações sobre o salário mínimo europeu? Compreende as reticências ao levantamento de patentes das vacinas da Covid-19?”, questionou Manuel Acácio, da Rádio TSF.

Na sua intervenção, o eurodeputado Paulo Rangel defendeu uma suspensão das patentes das vacinas, esquecendo ter votado contra essa hipótese no Parlamento Europeu a 29 de abril, uma posição de voto acompanhada pelos eurodeputados do PS e o CDS.

Se Paulo Rangel diminuiu os resultados, o eurodeputado socialista Pedro Marques enalteceu o “alinhamento nas instituições europeias para o pilar social”, no que considerou serem “metas ambiciosas subscritas pelos parceiros sociais europeus”.

Se as metas são ambiciosas, a realidade parece discordar. “A meta proclamada propõe a redução de 15 milhões de pobres, o que significa que continua a aceitar 66 milhões de pobres na União Europeia”, relembra Marisa Matias.

Para a eurodeputada do Bloco de Esquerda, “não podemos achar que uma proclamação combate de facto a pobreza”, porque “a cimeira não trouxe medidas concretas de combate à pobreza. A definição de uma prioridade não é uma alteração de políticas para responder a essas prioridades”, diz.

“Não se pode prometer na Europa o combate à pobreza e recusar em Portugal os apoios necessários para reduzir a pobreza”, diz Marisa, relembrando que “em Portugal continuamos sem conseguir eliminar medidas da troika da legislação laboral”, medidas que o executivo de António Costa mantém inalteradas.

Para Marisa Matias, “não podemos de nenhuma forma estar a recusar apoios sociais a quem está a cair na pobreza em Portugal”, apoios que o Governo tem recusado implementar de forma eficaz mesmo depois de serem aprovados por maioria na Assembleia da República, lembrou a eurodeputada do Bloco.

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