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“Não quero que o Porto seja a cidade dos negócios, quero que seja a cidade das pessoas”

João Teixeira Lopes, candidato pelo Bloco de Esquerda à Câmara do Porto, afirma também em entrevista à Renascença, que a habitação é o primeiro problema do Porto e aponta que o”turismo não pode ser uma monoatividade numa cidade”.
João Teixeira Lopes critica “ a dupla Moreira/Pizarro” por não ter implementado uma taxa municipal sobre o turismo urbano – Foto Estela Silva/Lusa
João Teixeira Lopes critica “ a dupla Moreira/Pizarro” por não ter implementado uma taxa municipal sobre o turismo urbano – Foto Estela Silva/Lusa

Em entrevista à Rádio Renascença, João Teixeira Lopes fala do Porto e dos seus problemas e da sua candidatura ao executivo municipal.

O sociólogo assume a sua candidatura como um “ato de solidariedade para com João Semedo”, sublinhando, no entanto, que conhece bem a cidade, que foi por duas vezes eleito deputado pelo círculo do Porto e que já foi candidato à Câmara por três vezes. Salienta ainda que, sendo sociólogo, “tenho que ir ao terreno, tenho que pesquisar, tenho que ouvir atenta e metodicamente as pessoas, e creio que isso me dá algum conhecimento, sem querer ser vaidoso ou ter algum sentimento de soberba”.

Visibilidade internacional não significa qualidade de vida

Questionado sobre se partilha da opinião de que se vive melhor na cidade do Porto e que têm sido criadas melhores condições para viver na cidade, João Teixeira Lopes afirma que não partilha da opinião, aponta que “há uma pressão imobiliária como já não se sentia há muito” e que tem sido exercida “de forma violenta” para com os inquilinos.

“Hoje, o Porto tem 'glamour', tem uma marca, tem marketing, tem neon, tem a publicidade, isso é verdade”, reconhece Teixeira Lopes, acrescentando que “o Porto tem visibilidade internacional”, mas sublinhando que “isso é bom, é importante, mas não significa qualidade de vida”.

O candidato bloquista aponta também outros problemas referidos pelas pessoas, “que o metro precisava de novas linhas, que é insuportável o estacionamento em segunda fila” e critica: “Há uma concentração enorme de atenção, de investimento, de espetáculo no centro do Porto. O Porto é muito mais do que o seu centro”.

O turismo não pode ser uma monoatividade numa cidade”

“O turismo não pode ser uma monoatividade numa cidade. A cidade tem de ter diversidade”, afirma João Teixeira Lopes, defendendo que “é fundamental que a cidade tenha outro tipo de apostas, é fundamental que tenha, por exemplo, uma universidade, um setor de investigação, de patentes, de inovação muito forte”.

O candidato bloquista destaca também que deveriam ter muito mais apoio “as chamadas atividades criativas, que no Porto têm uma efervescência muito grande, envolvem muitas pessoas, companhias independentes, criadores individuais, espaços de inovação, que deveriam ser muito mais colocados em evidência”.

O candidato alerta ainda que a “concentração apenas no turismo deixa-nos numa situação que pode ser difícil no futuro”, referindo que “a geopolítica mundial pode-se alterar e o destino turístico Porto pode cansar-se ou esgotar-se”.

Porque não há taxa municipal sobre o turismo urbano?

“Há algo que não se percebe como é que o Porto não tem e como é que a dupla Moreira/Pizarro não implementou essa medida tão óbvia, que é a aplicação de uma taxa municipal sobre esse turismo urbano”, critica João Teixeira Lopes.

“Essa taxa deve servir não só para ser investida nos territórios da cidade que estão a ser tão desgastados com a turistificação, a chamada pegada turística, como deve servir também para a própria Câmara intervir na reabilitação e nalguma construção nova social, que eu acho que é precisa”, afirma o candidato bloquista sublinhando que “a Câmara tem de ser um ator ativo nesta questão, tem que conter a fúria do mercado”.

“Se me pedisse uma questão, um problema, se me pedisse para hierarquizar os problemas, o primeiro é a habitação”, realça João Teixeira Lopes sobre as principais questões da cidade.

66 milhões de euros em poupanças que não são utilizadas”

O candidato bloquista critica também o facto de a Câmara do Porto ter “66 milhões de euros em poupanças que não são utilizadas”, “quando existem urgências sociais enormes”, e defende que “a Câmara não se pode dar ao luxo de ter tanto dinheiro que não é gasto, tanto mais numa altura em que os juros bancários nada rendem ou até podem ser negativos”.

“Se eu perguntar, e é uma pergunta que certamente lhe farei, "ó dr. Rui Moreira, diga-me lá as obras que deixou na cidade" ele responder-me-á com projetos e intenções porque obra verdadeiramente não encontra uma”, critica Teixeira Lopes.

Questionado sobre o Aeroporto do Porto e se partilha da ideia que o aeroporto não tem sido valorizado, Teixeira Lopes afirma que partilha e considera que o dr. Rui Moreira esteve bem na questão.

“Como vê, não tenho problemas nenhuns em reconhecer que há posturas que foram positivas. É sabido que este aeroporto tem uma qualidade excecional, ganha vários prémios de melhor aeroporto da Europa, tem vindo a crescer com uma velocidade enorme” afirma o sociólogo, criticando a “gestão privada do aeroporto” e “acima de tudo a atitude da TAP de retirar rotas ao Porto e de as canalizar em Lisboa”. “É uma opção errada, do ponto de vista nacional”, sublinha.

Rui Moreira nunca deveria ter tido qualquer intervenção no caso Selminho”

João Teixeira Lopes diz que o caso Selminho não está esclarecido e critica o atual Presidente da Câmara do Porto, que “nunca deveria ter tido qualquer intervenção neste caso, nunca deveria ter nomeado um procurador e deveria ter passado ao executivo e à Assembleia Municipal todos os documentos, nomeadamente aqueles que dizem que o terreno é não edificável”.

“É matéria que Rui Moreira, ele próprio, deveria ter colocado um travão e encerrar o assunto, dizendo 'a minha família desiste de edificar neste terrenos', realça o candidato bloquista.

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