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"Não podemos continuar com estes desvarios do sistema financeiro"

Num debate a dez, transmitido pela Antena 1, Marisa Matias reafirmou que, no caso do BANIF, faltou ao país “um Presidente da República que se associasse e que procurasse fazer essa batalha” por uma resolução diferente, em que não fossem os contribuintes a pagar, mesmo que levasse a desobedecer a Bruxelas.
Foto de Mário Cruz/Lusa. Os candidatos a Presidente da República, Marisa Matias, Maria de Belém e Marcelo Rebelo de Sousa momentos antes do debate com os 10 candidatos às Eleições Presidenciais na Antena 1, em Lisboa, 4 de janeiro de 2016.

Num debate que juntou, nos estúdios da Antena 1, os dez candidatos/as a Presidente da República, Marisa Matias esclareceu que a alternativa que teria defendido, no caso do BANIF, passava por apoiar “aquilo que era a solução preferida pelo Governo e pela nova maioria da Assembleia da República, que era a integração na Caixa Geral de Depósitos”, e que Bruxelas não deixou.

Para a candidata, temos de deixar de ser subservientes, porque, pelo conhecimento que tem das instituições europeias e das resoluções que houve, teria sido possível fazer diferente. O que faltou foi “um Presidente da República que se associasse e que procurasse fazer essa batalha”, e sublinhou que, em todos estes anos, não houve “um único país que tivesse resoluções como nós tivemos em Portugal” em que “fomos o único país em que os contribuintes pagaram sempre, pagaram quase tudo, e pagaram primeiro, antes dos grandes credores e dos grandes acionistas”. Assim, a sua alternativa “não seria para bloquear”, mas “seguramente para começar a desbloquear uma situação indigna”.

Se a resolução acontecesse duas semanas depois “a ordem que é comum para aplicação da resolução dos bancos, seja em que país for, é uma ordem completamente diferente: passa pelos grandes credores, pelos acionistas, a venda de ativos, e só na última linha os depositantes e não chega aos contribuintes”, explicou, referindo que “Portugal foi o único em que os contribuintes limparam bancos para depois os entregar limpinhos ao setor privado”.

Questionada pela jornalista Maria Flor Pedroso, que moderou o debate, sobre em que situações demitiria o Governo, Marisa Matias disse que apenas em duas circunstâncias: se o Primeiro-Ministro falhar claramente com os seus deveres de Estado, ou se o Governo perder a maioria do apoio parlamentar na Assembleia da República. Segundo a candidata, para “tudo o resto há outros instrumentos à mão do Presidente da República”, como o veto e a fiscalização preventiva.

Sobre se demitiria o Governo se este não cumprisse o défice, foi peremptória em responder que não, “desde logo porque é preciso percebermos como é calculado o défice”. “Não deixa de ser interessante que nos últimos anos tivemos vinte mil milhões de euros que foram entregues diretamente à banca com dinheiros dos contribuintes, que não contam para o cálculo do défice, mas no entanto, os três mil milhões que faltaram ao serviço nacional de saúde, ou por exemplo, mil milhões de euros que fosse para matar a fome de pessoas que têm fome em Portugal, [já] contariam para o calculo do défice”, evidenciou.

Marisa Matias aproveitou ainda este debate para esclarecer a sua posição sobre os debates presidenciais, que dão menor destaque a três dos candidatos, tendo referido que “defendi e sempre defenderei que todos os candidatos devem ser tratados em igualdade de circunstâncias, seja qual for o ato eleitoral”.

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