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“Não podemos aceitar que as crianças surdas não possam comunicar com o resto do país”

Catarina Martins apresentou as iniciativas que o Bloco leva esta sexta-feira a debate parlamentar para alargar a aprendizagem da Língua Gestual Portuguesa nas escolas de referência e valorizar os seus profissionais.
Catarina Martins no Centro de Educação e Desenvolvimento Jacob Rodrigues Pereira.

Esta quinta-feira, a coordenadora do Bloco e o deputado Jorge Falcato visitaram o Centro de Educação e Desenvolvimento Jacob Rodrigues Pereira, em Lisboa, apontando-o como um bom exemplo do sucesso das medidas que o Bloco irá propor no parlamento.

“Estamos aqui num espaço de referência que há bastante tempo tem turmas com crianças surdas e ouvintes e em que todas aprendem a Língua Gestual Portuguesa (LGP). Aqui já se compreendeu como é benéfica a aprendizagem de mais uma língua. É com exemplos como este que este país pode ser um país mais justo”, declarou Catarina Martins aos jornalistas no final da visita.

Os projetos em debate esta sexta-feira fazem com que a Língua Gestual Portuguesa esteja acessível a mais pessoas e também que os profissionais que trabalham com a LGP sejam mais respeitados, resumiu a coordenadora bloquista.

“Há uma série de escolas de referência para alunos surdos, mas nessas escolas só os alunos surdos é que aprendem a LGP. As crianças e os jovens podem e devem comunicar no recreio e devem conhecer a LGP”, sublinhou Catarina, lembrando que “a LGP é uma língua oficial em Portugal, é a terceira língua no nosso país”.

“Amanhã vamos dar um pequeno passo de os alunos que quiserem nas escolas de referência, e que não são surdos, poderem também aprender a LGP, para assim termos comunidades escolares com mais capacidade de comunicação”.

"Estamos a dar um passo na direção da democracia e da cidadania no nosso país”

A par desta iniciativa, o Bloco leva a debate outros projetos para alargar ainda mais a aprendizagem da língua gestual “e também para o próprio estatuto dos intérpretes e dos docentes, porque temos um problema claro de respeito das carreiras destes profissionais”, prosseguiu Catarina.

“Não podemos aceitar que as crianças surdas tenham de viver numa espécie de gueto, em que não podem comunicar com o resto do país. Nem podemos aceitar que a LGP não tenha o respeito que merece qualquer língua oficial do nosso país. Se amanhã dermos esse pequeno passo de mais crianças poderem aprender a LGP, estamos a dar um passo na direção da democracia e da cidadania no nosso país”, concluiu.

Estas medidas com impacto na aprendizagem não esgotam para o Bloco aquilo que ainda falta fazer nesta área: “Seguramente precisamos que isto se estenda à forma como as pessoas acedem aos serviços públicos, para terem intérprete quando vão ao médico de família, à Segurança Social, às Finanças… A comunidade surda precisa de ser respeitada, tem uma língua consagrada em Portugal, temos todo o conhecimento técnico e científico que é necessário, agora o que é preciso é dar acesso ao país à sua própria língua, a Língua Gestual Portuguesa”, defendeu Catarina Martins.

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