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Não esquecemos que Rui Rio foi assistir à demolição do Bairro do Aleixo num barco de luxo

Joana Mortágua, no comício em Almada, lembrou que o líder do PSD brindou com champanhe aquela demolição, porque ela beneficiava um fundo imobiliário, constituído a favor do grupo Espírito Santo. A deputada desafiou também todos os partidos a explicar como vão baixar o custo da habitação em Portugal.
Joana Mortágua no comício de Almada - Foto de Pedro Almeida
Joana Mortágua no comício de Almada - Foto de Pedro Almeida

Na intervenção no comício que teve lugar esta quarta-feira em Almada, Joana Mortágua, deputada, vereadora da Câmara de Almada e de novo cabeça de lista do Bloco no distrito de Setúbal, concentrou a sua intervenção na habitação e na crítica à direita.

“Não estaríamos em Almada se não falássemos de habitação”, afirmou Joana Mortágua, sublinhando que não falava apenas “do bairro da Jamaica, ou do Torrão ou da quinta da Parvoíce, verdadeiras zonas demarcadas onde a pobreza se cruza com o racismo”, mas falava também “de todos os jovens que não conseguem sair de casa dos pais”, “dos T0 a 500 euros”, da “imensa massa trabalhadora a quem o salário não chega para pagar a renda”. “Falo-vos da lei de bases da habitação, que não pode cair nas mãos da direita e pela qual vamos ter de lutar nos próximos quatro anos”, salientou.

“Engana-se quem ache que este é um tema menor em campanha eleitoral”, destacou a deputada e desafiou todos os partidos “a explicar como é que vão baixar o custo da habitação em Portugal”.

Referindo que “famílias inteiras são despejadas para que as suas casas sejam depois colocadas no mercado de arrendamento pelo dobro do preço”, perguntou aos outros partidos “como é que vão travar a especulação” e sublinhou que “os benefícios fiscais reconhecem mais direitos aos fundos imobiliários do que a quem trabalha e aqui quer viver”.

“Engana-vos quem prometer que resolve a crise da habitação sem controlar o aumento das rendas, sem prolongar os contratos, sem acabar com os privilégios da especulação”, frisou Joana Mortágua, assinalando que “no Bloco de Esquerda chamamos a isto serviço público de habitação. E é baseado exatamente nos mesmos princípios, da Escola Pública ou do SNS, distribuição de riqueza, justiça social e igualdade”.

Champanhe na demolição do Bairro do Aleixo

“Os países mais desiguais não são necessariamente os mais pobres, são aqueles onde a elite se apropria da maior riqueza”, salientou Joana Mortágua e passou à crítica do líder do PSD.

“Nós não esquecemos porque é que Rui Rio foi assistir à demolição do Bairro do Aleixo a partir de um barco de luxo, enquanto brindava com champanhe no rio Douro”, acusou Joana Mortágua, apontando que o atual líder do PSD “não foi brindar à promessa de uma vida melhor para aquelas famílias” e criticou: “foi brindar porque aquela demolição beneficiava um fundo imobiliário especial, constituído a favor do grupo Espírito Santos, que queria ali construir casas de luxo”.

A deputada aconselhou então “sempre que ouvirem Rui Rio e a direita a falar de serviços públicos lembrem-se: aqui há gato” e acresentou: “Nenhum dos partidos da direita tem uma proposta para trazer para a Escola Pública os professores de que precisa, para trazer para o SNS os médicos que são necessários”.

“A fraude do cheque ensino ou da suposta liberdade de escolha na saúde é a garantia de rendas milionárias para poucos grupos económicos, sempre os mesmos, que tratarão de abrir uma garrafa de champanhe para brindar a cada escola pública encerrada ou a cada serviço de pediatria encerrado em benefício das empresas privadas”, rematou a cabeça de lista do Bloco no círculo de Setúbal, acusnado ainda: “O que para nós é vida, para eles é negócio. E é por isso que aqui repetimos NÃO PASSARÃO!”

Bloco nunca fará acordos com a direita

Entrando na fase final da sua intervenção, Joana Mortágua assinalou que “o Bloco de Esquerda nunca fez nem fará acordos com a direita” e que “o voto no Bloco de Esquerda é um voto certo e é um voto seguro contra a direita”.

“O país precisa de maiorias, mas não daquelas que se vendem a troco de cortar o RSI às crianças”, acusou a deputada, sublinhando que o país precisa de maiorias para salvar o SNS e a escola pública. “Maiorias que reconheçam o direito à habitação, maiorias que saibam que este país é para velhos e não imponham um corte nas suas reformas. Um país de maiorias que se batam pela contratação coletiva para aumentar o salário, maiorias que combatem a precariedade”, frisou.

Referindo que António Costa “já sabe que terá de negociar uma maioria parlamentar e agora resta-nos saber com quem”, a deputada afirmou criticamente: “A ausência de resposta a esta questão é o pântano que o PS preferiu impor ao país. Tanto diz que fala com todos como lamenta que o PSD queira falar com o Chega e não consigo, mas o tempo das ambiguidades tem prazo e acaba no domingo”, disse.

“Para todos aqueles que pensam votar útil no domingo, quero ser muito clara. Independentemente de quem se autoproclamar primeiro-ministro na noite das eleições, só há um resultado que afasta a direita do poder que é o Bloco de Esquerda ser terceira força política”, concluiu.

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