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“Não em nosso nome” grita hoje o Estado Espanhol

Mais de 30.000 pessoas assinaram um manifesto contra os atentados em Paris e no Líbano e os bombardeamentos da França, Estados Unidos e Rússia na Síria. Em mais de 25 cidades foram convocadas concentrações para hoje. Notícia atualizada às 20h32.
Protesto em Madrid, foto do FaceBook de "No En Nuestro Nombre"

Milhares de pessoas manifestaram-se hoje por todo o Estado Espanhol para exprimir o seu descontantamento com uma possível intervenção do Estado na Síria, com palavras de ordem como "não à guera" e "NATO não". 

Teresa Rodríguez, deputada do Podemos no Parlamento da Andaluzia, exigiu a todos os partidos que se apresentam às próximas eleições legislativas de dezembro, que manifestem a sua postura em relação à guerra contra o Estado Islâmico, para que os cidadão não votem com esse equívoco. A Esquerda Unida e o Podemos já se declararam contra a guerra na Síria, e o Cidadãos já se declarou favorável ao envio de tropas espanholas. O PSOE e o PP, por sua vez, não anunciaram publicamente a sua posição. 

Teresa Rodriguez declarou ainda que a guerra não é combatida com mais guerra, explicando que defende uma estratégia que implique "deixar de ter relações comerciais preferenciais com os países que financiam o terrorismo, deixar de lhes comprar petróleo, pôr fim à venda de armas e afogar economicamente os grupos terroristas".

Em Madrid na Praça do Museu Rainha Sofia estiveram presentes largas centenas de pessoas que se juntaram à iniciativa “#NoEnNuestroNombre” (não em nosso nome), lançada esta semana pelas “autarquias pela mudança”. Segundo os organizadores, os protestos foram convocados para “mostrar a nossa repulsa com os ataques terroristas em Paris e no Líbano, a nossa repulsa com os bombardeamentos da população civil síria, a nossa repulsa com as limitações democráticas como ineficazes garantias de segurança e a nossa repulsa com a política externa belicista iniciada por Bush-Blair-Aznar”.

Manifesto “Não em nosso nome”, já tem mais de 40 mil assinaturas, e foi lançado pelos “autarcas pela mudança” Ada Colau (Barcelona), Manuela Carmena (Madrid), Xulio Ferreiro (Corunha), Pedro Santisteve (Zaragoza), Francisco Guarido (Zamora), Jose María Gonzalez “Kichi” (Cádiz), Pedro del Cura (Rivas Vaciamadrid) e Jorge Suarez Fernandez (Ferrol).

O documento é ainda subscrito por diversos coletivos como: Bem-vindos Refugiados Espanha, central sindical Comissiones Obreras, Mundo Sem Guerras, Associação de Jovens Muçulmanos, Ecologistas em Ação, Associação Marroquina de Direitos Humanos, Coletivo de Estudantes de Madrid, Anticapitalistas, Sindicato de Estudantes e outras plataformas, bem como por um grupo de inteletuais contra o terrorismo, a islamofobia, as guerras, os ataques à liberdade e os bombardeamentos na Síria.

“Os brutais atentados perpetrados em Paris no passado dia 13 de novembro procuravam instaurar um clima e um regime de terror entre a população, levantando muros de suspeita e ódio entre vizinhos, degradando a vida em comunidade e instaurando a política do medo no nosso dia a dia”, lê-se no Manifesto. Os signatários alertam que “se a resposta à barbárie passa por suspender direitos, cortar liberdades e encerrar-nos em casa, a vitória do terrorismo será total”.

“O fanatismo terrorista do Daesh (EI) é funcional e retroalimenta o fanatismo racista europeu, enquanto os nossos Governos praticam cortes de direitos sociais e liberdades fundamentais, xenofobia institucional e bombardeamentos indiscriminados, que se demonstraram ineficazes”, acrescentam, sublinhando que se negam a “ser reféns do ódio, do terror e da intolerância”, já que isso “seria claudicar perante o terrorismo”.

O Sindicato de Estudantes já anunciou que convocará uma greve geral em universidades e institutos de todo o Estado Espanhol caso o governo anuncie uma intervenção militar do país no conflito sírio. Também o secretário geral da central sindical Comissiones Obreras (CCOO), Ignacio Fernández Toxo, afirmou que a estrutura sindical participará nas mobilizações contra a guerra e contra aquilo que apelida de “espiral indesejável de destruição e morte”.

Os protestos marcados foram os seguintes (com hora de Portugal continental): Madrid 11h Praça do Museu Rainha Sofia, Barcelona 16h Plaça Universitat, Cádiz 11h San Juan de Dios, Sevilha 11h Plaza Nueva, Zaragoza 11h Plaza de España, Valladolid 11h Fuente Dorada, Valência 13h Plaza de la Virgen, Mérida 11h Plaza de España, Xixon 11h Plaza del Parchís, Burgos 18h30 Plaza del Cid, León 11h Botines, Zamora 11h Plaza de la Constitución, Corunha 11h Praza de María Pita, Vigo 11h Escaleiras do Marco, Torrelavega 11h30 Plaza del Ayuntamiento, Salamanca 17h Plaza de la Constitución, Tarragona 11h Plaça de la Font, Huesca 19h Plaza de Navarra, Murcia 11h Plaza del Ayuntamiento, Córdoba 17h Bulevar Gran Capitán, Vitoria-Gasteiz 11h Plaza Virgen Blanca, Sta. Cruz de Tenerife 9h30 Plaza de la Candelaria, Cuenca 11h Plaza de España, Donosti 18h Bulevar, Bilbao 16h30, Plaza Arriaga

Seguem-se algumas fotografias dos protestos em Madrid.

Protesto em Madrid, foto do FaceBook de "No En Nuestro Nombre"

Protesto em Madrid, foto do FaceBook de "No En Nuestro Nombre"

Protesto em Madrid, foto do FaceBook de "No En Nuestro Nombre"

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