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Não é só Marielle: Mais 24 casos de ativistas políticos mortos nos últimos quatro anos no Brasil

A vereadora do PSOL Marielle Franco foi a última vítima da violência que atinge líderes e militantes políticos no Brasil. Desde 2014, pelo menos outros 24 líderes comunitários, ativistas e militantes políticos foram evidentemente executados. Artigo do Opera Mundi.
O levantamento não inclui mortes suspeitas de lideranças nem trabalhadores que não tinham, pelo menos de forma evidente, papel político de liderança. Usando esses dois critérios adicionais, a lista chegaria a centenas de nomes.

O assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) na noite desta quarta-feira (14/03) acendeu o alerta para um facto alarmante: desde 2014, pelo menos outros 24 líderes comunitários, ativistas e militantes políticos foram evidentemente executados em diferentes regiões do Brasil. O levantamento não inclui mortes suspeitas de lideranças nem trabalhadores que não tinham, pelo menos de forma evidente, papel político de liderança. Usando esses dois critérios adicionais, a lista chegaria a centenas de nomes.

O historiador Fernando Horta, doutorando na Universidade de Brasília, reuniu uma lista dessas vítimas. O Opera Mundi conta um pouco da história destes militantes, executados devidos aos trabalhos que desenvolviam pelas suas comunidades.  

Marielle Franco, vereadora no Rio de Janeiro pelo PSOL – 15.mar.2018

A socióloga, ativista dos movimentos feminista e negro, foi executada no centro da capital fluminense. Marielle, a quarta vereadora mais votada na cidade, atuava na comunidade da Maré, onde morava, e, na semana anterior à sua morte, denunciou a violência e os abusos policiais no bairro de Acari. Leia mais aqui.

Paulo Sérgio Almeida Nascimento, líder comunitário no Pará – 12.mar.2018

Nascimento era um dos líderes da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazónia (Cainquiama). Segundo a Polícia Civil, foi alvejado por disparos do lado de fora de casa, na cidade de Barcarena. Nascimento era um ativista que denunciava a refinaria Hydro Alunorte, responsável pelo despejo de dejetos tóxicos nas águas da região no início do mês. Leia mais aqui.

George de Andrade Lima Rodrigues, líder comunitário em Recife – 23.fev.2018

Rodrigues foi encontrado com marcas de tiros e um arame enrolado no pescoço, após três dias de buscas. O seu corpo foi encontrado num mato nas margens de uma estrada de terra. Tinha sido sequestrado por quatro homens que se diziam polícias. Leia mais aqui.

Carlos Antônio dos Santos, o “Carlão”, líder comunitário no Mato Grosso – 07.fev.2018

Carlão era um dos líderes do Assentamento PDS Rio Jatobá, em Paranatinga, no Mato Grosso, e foi morto a tiros, por homens numa motocicleta, em frente à autarquia da cidade. Estava dentro de um automóvel com a filha e a esposa, que chegou a ser atingida de raspão. Carlão já tinha feito várias denúncias à polícia de que estava a ser ameaçado. Leia mais aqui.

Leandro Altenir Ribeiro Ribas, líder comunitário em Porto Alegre – 28.jan.2018

Ribas era líder comunitário na Vila São Luís, ocupação da zona norte da capital gaúcha. Tinha deixado de dormir em casa desde alguns dias face à guerra entre traficantes da região. No dia em que foi assassinado, voltou à vila para ir buscar roupas, mas acabou por ser morto. A polícia suspeita de que Ribas tenha sido executado pelos criminosos ao apresentar-se como líder da comunidade e questionar as ações do grupo. Leia mais aqui.

Márcio Oliveira Matos, liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Bahia – 24.jan.2018

Matos era um dos membros mais novos da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e morava no Assentamento Boa Sorte. Aos 33 anos, foi morto em casa, com três tiros, na frente do seu filho. Leia mais aqui.

Valdemir Resplandes, líder do MST no Pará – 9.jan.2018

Conhecido como 'Muleta', Resplandes foi executado na cidade de Anapu, no Pará. Conduzia uma moto e foi parado por dois homens. Um deles atirou pelas costas; já no chão, o ativista foi alvejado na cabeça. A missionária norte-americana Dorothy Stang foi assassinada na mesma cidade, em 2005. Leia mais aqui.

Jefferson Marcelo do Nascimento, líder comunitário no Rio – 04.jan.2018

Nascimento era líder comunitário em Madureira e foi encontrado com sinais de enforcamento um dia após desaparecer. Tinha feito uma série de denúncias contra uma quadrilha de milicianos dias antes de ser executado. Leia mais qui.

Clodoaldo do Santos, líder sindical em Sergipe – 14.dez.2017

Santos era líder do Movimento SOS-Emprego de Sergipe e foi baleado na cabeça por dois homens que foram a sua casa com a desculpa de entregar um currículo. Após orientar os criminosos a entregarem o documento diretamente à empresa que construía uma termoelétrica na região, o dirigente foi alvejado. Leia mais aqui.

Jair Cleber dos Santos, líder de acampamento no Pará – 22.set.2017

Santos foi alvo de um ataque a tiros na companhia de outros quatro trabalhadores rurais. O acusado do assassinato é o gerente de uma fazenda ocupada por trabalhadores ligados à Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Pará). A polícia esteve no local momentos antes e os trabalhadores que estavam lá acusam-na de ter facilitado a fuga do gerente e de outros homens armados. Leia mais aqui.

Fabio Gabriel Pacifico dos Santos, o “Binho dos Palmares”, líder quilombola na Bahia – 18.set.2017

Binho, como era conhecido, era líder do quilombo Pitanga dos Palmares, na cidade de Simões Filho, Bahia. Tinha acabado de deixar o filho na escola e seguia para o enterro de uma amiga quando foi abordado por homens num carro. Um deles desceu do veículo e atirou várias vezes na direção do líder. Leia mais aqui.

José Raimundo da Mota de Souza Júnior, líder do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) na Bahia – 13.jul.2017 

O quilombola [descendente de escravos negros] Souza Júnior era defensor da agroecologia e educador popular. Momentos antes do crime, o líder camponês foi procurado por dois homens em casa. Foi baleado enquanto trabalhava no campo com o irmão e um sobrinho. Leia mais aqui.

Rosenildo Pereira de Almeida, o “Negão”, líder comunitário da ocupação na Fazenda Santa Lúcia, no Pará – 8.jul.2017

O líder camponês, ligado ao MST, foi morto na cidade de Rio Marias, próxima à fazenda. Tinha ido ao local para se esconder após reiteradas ameaças de morte. Foi executado por dois indivíduos de mota com três tiros na cabeça. Leia mais aqui.

Eraldo Lima Costa e Silva, líder do MST no Recife – 20.jun.2017

Costa e Silva, de 57 anos, estava em casa, numa ocupação na zona norte do Recife, quando homens armados arrastaram-no para fora e executaram-no nas margens da BR-101, com quatro tiros. Leia mais aqui.

Valdenir Juventino Izidoro, o “Lobó”, líder camponês de Rondônia – 4.jun.2017

Lobó foi morto com um tiro a queima-roupa num acampamento em Rondominas, Rondônia. Liderava um grupo de sem-terra em ocupações na região. Leia mais aqui.

Luís César Santiago da Silva, o “Cabeça do Povo”, líder sindical do Ceará – 15.abr.2017

Silva tinha 39 anos quando foi executado numa estrada no município de Brejo Santo (CE). Era membro do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem (Sintepav-CE) e com militância ativa nas obras do porto de Pecém. Leia mais aqui.

Waldomiro Costa Pereira, líder do MST no Pará – 20.mar.2017

Pereira, que era funcionário público e ativista no MST, foi morto dentro do Hospital Geral de Parauapebas, no Pará. Cinco homens armados renderam seguranças e foram até a UTI, onde atiraram no ativista. Estava internado após ser atacado no seu terreno, em Eldorado dos Carajás. Leia mais aqui.

João Natalício Xukuru-Kariri, líder indígena em Alagoas – 11.out.2016

Liderança história dos povos indígenas do nordeste, Xukuru-Kariri foi esfaqueado à porta de casa, numa aldeia indígena em Alagoas. O assassinato ocorreu de madrugada, quando o camponês se preparava para ir trabalhar no campo. Leia mais aqui.

Almir Silva dos Santos, líder comunitário no Maranhão – 8.jul.2016

Santos era líder comunitário da Vila Funil, em São Luiz, e foi executado dentro de casa com tiros na cabeça e nas costas, em frente da mulher, da filha e de vizinhos. O acusado de ter cometido o assassinato afirmou, segundo a polícia, que matou Santos por não concordar com a construção de uma ponte na comunidade - que atrapalharia o tráfico de drogas ao dar aos polícias acesso fácil ao local. Leia mais aqui.

José Bernardo da Silva, líder do MST em Pernambuco – 26.abr.2016

Silva, de 48 anos, era líder do MST em Pernambuco e estava a caminhar com a esposa e uma filha nas margens da BR-336 quando uma camionete se aproximou. Um dos ocupantes do veículo desceu do carro e atirou contra a vítima. Mulher e filha esconderam-se e não ficaram feridas. Leia mais aqui.

José Conceição Pereira, líder comunitário no Maranhão – 14.abr.2016

Pereira tinha 58 anos quando foi morto com um tiro na nuca dentro de casa na capital maranhense. Nada foi levado da casa do líder comunitário, o que reforçou a hipótese de execução. Leia mais aqui.

Edmilson Alves da Silva, líder comunitário em Alagoas – 22.fev.2016

Presidente do assentamento Irmã Daniela, Silva foi morto a tiros no local. Era líder do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), comandando ocupações e denunciando crimes ambientais e infrações supostamente praticados por fazendeiros do litoral norte do Estado. Leia mais aqui.

Nilce de Souza Magalhães, a “Nicinha”, líder comunitária e membro do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) em Rondônia – 7.jan.2016

Nicinha era pescadora e participou em diversas audiências para denunciar a situação dos seus vizinhos e danos ambientais. Desapareceu em 7 de janeiro e foi assassinada a tiros. Leia mais aqui.

Simeão Vilhalva Cristiano Navarro, líder indígena do Mato Grosso – 1.ago. 2015

O assassinato de Navarro aconteceu durante uma reocupação de terras indígenas por parte dos Guarani-Kaiowá. Uma comitiva de fazendeiros dirigiu-se à região e atacou os indígenas. O ativista foi atingido com um tiro na cabeça quando estava nas margens de um ribeiro a procurar o seu filho. Leia mais aqui.

Paulo Sérgio Santos, líder quilombola na Bahia - 6.jul. 2014

Santos era líder quilombola [descendente de escravos negros] e foi assassinado dentro do acampamento Nelson Mandela, em Helvécia (BA). Foi surpreendido por homens armados que chegaram num carro e começaram a atirar quando saíram da viatura. Leia mais aqui.


Artigo de Haroldo Ceravolo Sereza e Rafael Targino | São Paulo, publicado no Opera Mundi.

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