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“Não dou a minha confiança ao governador do Banco de Portugal”

Sublinhando que a/o “Presidente da República não tem poderes para destituir” o Governador de Portugal, Marisa Matias fez saber que enquanto Presidente da República já teria retirado a confiança a Carlos Costa.
Foto de Paulete Matos

Foi numa conferência organizada pela SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, em Lisboa, que a candidata presidencial afirmou não compreender a recondução de Carlos Costa, atual governador do Banco de Portugal, por mais cinco anos.

Apesar de sublinhar que a/o Presidente da República não tem poderes para destituir o governador do Banco de Portugal, nem há essa necessidade, na opinião da candidata, “acho que seria muito difícil alguém ficar como governador não tendo a confiança de quem representa o mais alto cargo da nação”.

Acho que seria muito difícil alguém ficar como governador não tendo a confiança de quem representa o mais alto cargo da nação

Marisa Matias mostrou-se incrédula porque, depois de seis bancos em seis anos, o mínimo que seria de esperar, era que Cavaco Silva tivesse retirado a confiança a Carlos Costa. “Eu, como Presidente da República, não dou a minha confiança ao governador do Banco de Portugal”, esclareceu, convidando os demais candidatos presidenciais a manifestar a sua posição.

A candidata lembrou, ainda, que se Cavaco Silva “tivesse tomado partido pelo país”, como é função enquanto Chefe de Estado, casos como o BANIF não teriam acontecido.

Apesar dessas considerações, Marisa Matias disse entender que os poderes que o Presidente da República são suficientes, e que o problema está em não saber usar esses poderes. Cavaco “usou outros [poderes] que não eram dele” interferindo “com outros órgãos de soberania, dando ordens ao Governo ou à Assembleia da República”, acusou.

"A estabilidade da vida das pessoas começa a ser posta à frente da estabilidade dos interesses económicos"

Sobre o novo ciclo político que se vive em Portugal, destacou que as mudanças que trazem “alguma coisa boa às sociedades ou aos países” nunca foram feitas por pessoas obedientes ou que anuíram, que falam por “meias palavras” ou que querem estar bem “com deus e com o diabo”.

Não me façam desistir em nome dos vencedores anunciados porque hei de lutar até ao último dia por achar que temos o direito a ser felizes neste país

Segundo Marisa Matias, estamos a viver um ciclo em que, depois de ter destruído muitas famílias e muitas empresas, “a estabilidade da vida das pessoas começa a ser posta à frente da estabilidade dos interesses económicos”, e é por essa razão que “este ciclo não pode parar de maneira nenhuma em Belém”.

“Saberei aceitar com muita naturalidade sejam quais forem os resultados [eleitorais] e honrar a confiança que as pessoas entendam depositar em mim. Não me façam é desistir em nome dos vencedores anunciados porque hei de lutar até ao último dia por achar que temos o direito a ser felizes neste país e por achar que a alegria tem mesmo de substituir a fatalidade”, concluiu Marisa Matias.

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