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"Não cabe a nenhum de nós julgar quem queira interromper voluntariamente a gravidez"

"A simples consideração de que a Interrupção Voluntária da Gravidez é uma falha no planeamento familiar é já um julgamento moral sobre as mulheres e é inaceitável", defendeu Catarina Martins na audição da Ministra da Saúde no Parlamento.
Catarina Martins. Foto André Kosters - Arquivo Lusa

Depois de ter sido conhecida a proposta de novos critérios de avaliação para os profissionais de saúde, que faria com que os médicos de família e os outros elementos das equipas fossem avaliados pelas interrupções voluntárias da gravidez realizadas pelas utentes da sua lista e pela existência de doenças sexualmente transmissíveis nas mulheres, Catarina Martins questionou esta terça-feira a ministra da Saúde na Assembleia da República.

Para a coordenadora do Bloco, “a simples consideração de que a Interrupção Voluntária da Gravidez é uma falha no planeamento familiar é já um julgamento moral sobre a decisão das mulheres e é inaceitável”. E isto “porque a decisão da mulher de fazer a interrupção voluntária da gravidez tem várias razões”: “uma mulher e um homem que tenham todos os cuidados de planeamento familiar podem querer recorrer à IVG e não cabe a nenhum de nós julgar as razões por que alguém decide interromper voluntariamente a gravidez”.

Para além disto, considerou que “não há nada que seja neutro nem uma proposta técnica. As propostas técnicas que são feitas neste campo são profundamente patriarcais”. Segundo a porta-voz bloquista, “é patriarcal a consideração da IVG como um indicador porque a rebaixa no direito que ela é” e é também patriarcal considerar que as doenças sexualmente transmissíveis são uma questão das “consultas das mulheres”. Assim, concluiu, “o que vemos nestas notas técnicas é muito mais próximo do julgamento moral das decisões das mulheres do que política pública para a saúde”.

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