Myanmar deve ser investigado por crimes contra Rohingya, defende ONU

10 de March 2018 - 9:35

O Alto Comissário para os Direitos Humanos da ONU, Zeid bin Ra’ad, defende que perseguição e crimes cometidos contra esta minoria étnica no Myanmar sejam julgados pelo Tribunal Penal Internacional.

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Myanmar deve ser investigado por crimes contra os Rohingya, defende ONU
ONU já tinha descrito a situação dos Rohingya como um “caso claro de limpeza étnica”. Foto de Saiful Islam.

As Nações Unidas defendem que as atrocidades cometidas contra os Rohingya no Myanmar devem ser julgadas no Tribunal Penal Internacional. 

O Alto Comissário para os Direitos Humanos da ONU, Zeid bin Ra’ad, já tinha anteriormente descrito a situação dos Rohingya como um “caso claro de limpeza étnica”. Desta vez, o Comissário pediu que o Myanmar permitisse a monitorização em zonas restritas, possibilitando assim a investigação do que se suspeita serem “atos de genocídio”. 

Numa conferência de imprensa em Geneva, Zeid afirmou que a melhor forma de desacreditar as alegações sobre ataques à população Rohingya passa por permitir a entrada das Nações Unidas no território. “O que dizemos é que existem fortes suspeitas de que estejam a decorrer, sim, atos de genocídio. Mas só um tribunal o poderá confirmar”, disse o Alto Comissário para os Direitos Humanos. 

Um dia antes destas declarações, o Conselheiro Nacional de Segurança do Myanmar, Thaung Tun, veio a público dizer que, se estivesse a decorrer um genocídio no país, a minoria étnica já teria sido expulsa do território. “Ouvimos várias acusações sobre a existência de uma limpeza étnica ou mesmo genocídio no Myanmar. Já o disse anteriormente e irei repetir - essa não é a política do governo, isso posso garantir-vos. Embora existam acusações, gostaríamos de ver provas”, afirmou Tun. 

Em declarações à Al Jazeera, Ro Nad San Lwin, ativista Rohingya, diz que é “muito importante que os líderes do Myanmar sejam acusados pelo Tribunal Pena Internacional”. Lwin disse ainda que há “mais de um milhão de Rohingya à espera de justiça. Há mais de quarenta anos que os militares e o Governo do Myanmar cometem crimes contra a humanidade e genocídio - não só contra os Rohingya, mas também contra os Kachin, Karen, Shan e outras minorias étnicas”. 

Os Rohingya são considerados pelas Nações Unidas como uma das minorias étnicas mais perseguidas em todo o mundo, vítimas de discriminação pelas autoridades do Myanmar. Foram mais de 650 000 os membros desta minoria étnica que, desde agosto de 2017, abandonaram o país e fugiram para o Bangladesh após a perseguição militar no Estado de Rakhine. Os Médicos Sem Fronteiras estimam que só no primeiro mês tenham sido assassinadas 6 700 pessoas. Aqueles que conseguem escapar falam de violações, tortura e homicídios praticados por soldados.