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Mundo atingiu recorde de 80 milhões de deslocados e refugiados em 2020

A ONU diz que o número de pessoas refugiadas e deslocadas devido a perseguições, conflitos e violações dos direitos humanos é um “marco desolador”. De nada valeram os apelos ao cessar-fogo por causa da pandemia.
Mulher e criança migrantes, novembro de 2015.
Mulher e criança migrantes, novembro de 2015. Fotografia de Steve Evans/Flickr.

O número de pessoas deslocadas e refugiados ultrapassou em meados deste ano o valor recorde de 80 milhões, segundo a ONU. Este “marco desolador”, como lhe chama o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, ocorreu apesar dos pedidos de António Guterres, secretário-Geral da ONU, para um cessar-fogo em plena pandemia de covid-19.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, considera lamentável que o mundo tenha chegado a este "ponto de viragem sombrio" e advertiu que a situação se agravará caso "os líderes mundiais não ponham fim às guerras”.

“Estamos a ultrapassar outro marco desolador que continuará a crescer, a menos que os líderes mundiais parem as guerras”, explica Grandi.

"A comunidade internacional não está a conseguir preservar a paz", disse, sublinhando que a deslocação forçada duplicou na última década.

No final de 2019, 79,5 milhões de pessoas tinham sido forçadas a abandonar as suas casas devido a perseguições, conflitos e violações dos direitos humanos, tendo o mundo ultrapassado os 80 milhões poucos meses depois, em meados de 2020, explica um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Nestas contas entram 45,7 milhões de pessoas deslocadas internamente, 29,6 milhões de refugiados e outras pessoas forçadas a deixar o seu país e 4,2 milhões de requerentes de asilo.

"Os conflitos novos e os existentes e o novo coronavírus tiveram um impacto dramático nas suas vidas em 2020", salientou o ACNUR na nota. Não se observaram cessar-fogos globais nos conflitos ou perseguições devido ao impacto da pandemia, apesar dos apelos da ONU nesse sentido.

Segundo o ACNUR, citado pela AlJazeera, os números preliminares até ao primeiro semestre de 2020 mostraram que a violência na Síria, República Democrática do Congo, Moçambique, Somália e Iémen não cessaram e causaram novos deslocados.

A região africana do Sahel também viu novos deslocamentos significativos devido à violência, incluindo violações e execuções, disse o ACNUR.

No auge da primeira vaga da pandemia, em abril, 168 países tinham fechado as suas fronteiras total ou parcialmente, com 90 países a não abrirem exceções para os requerentes de asilo. Mas, desde então, 111 países encontraram soluções para assegurar que os seus sistemas de asilo estão total ou parcialmente operacionais, apesar das medidas para evitar a propagação da covid-19.

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